
Uma combinação de mudanças tributárias e reajuste nas refinarias deve impactar o preço do diesel pago pelos consumidores nos postos de combustíveis. A avaliação é do Sulpetro, entidade que representa os postos de combustíveis do Rio Grande do Sul, que divulgou nota explicando os fatores recentes que influenciam o valor do combustível.
Na última quinta-feira (12), o governo federal anunciou a redução das alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o chamado diesel A — o combustível puro que sai das refinarias. Segundo a entidade, a medida poderia resultar em uma redução potencial de cerca de R$ 0,29 por litro no preço do diesel B, que é o produto efetivamente vendido nos postos.
Isso ocorre porque o diesel comercializado no país é composto por uma mistura de 85% de diesel A com 15% de biodiesel. Como a redução tributária incidiu apenas sobre o diesel A, o impacto final no preço ao consumidor seria proporcional à participação desse componente na mistura.
No entanto, um anúncio feito na sexta-feira (13) pela Petrobras acabou alterando esse cenário. A estatal comunicou um reajuste de R$ 0,38 por litro no preço do diesel A nas refinarias, com vigência a partir deste sábado (14).
Considerando a proporção do diesel A na composição do diesel B, o aumento tende a resultar em uma elevação aproximada de R$ 0,32 por litro no preço final do combustível.
De acordo com o Sulpetro, além do reajuste anunciado pela Petrobras, o mercado de combustíveis enfrenta pressão adicional na formação de preços. A entidade aponta que, em leilões adicionais realizados pela estatal para suprir a demanda do mercado, houve registro de ágio — quando o produto é negociado acima do valor de referência — com preços entre R$ 1,80 e R$ 2,00 por litro.
Esse cenário, segundo a entidade, reflete um momento de instabilidade no mercado internacional de combustíveis, influenciado pelo contexto geopolítico global, o que acaba repercutindo nos custos internos.
Outro fator destacado é que a Petrobras não responde por toda a produção de diesel consumida no Brasil. Por isso, parte do combustível comercializado no país precisa ser adquirida por distribuidoras em refinarias privadas ou por meio da importação de diesel já refinado.
Nesse contexto, o Sulpetro afirma que os postos revendedores são apenas o último elo da cadeia de comercialização. Segundo a entidade, os estabelecimentos não têm influência sobre a definição de preços nas etapas anteriores, como produção e distribuição, e acabam repassando ao consumidor as variações decorrentes dessas mudanças no mercado.