
A Fenasoja, que celebra seis décadas de história em 2026, está prestes a realizar o que promete ser a sua maior edição de todos os tempos. Para além dos negócios e da celebração agrícola, o evento, que ocorre de 1º a 10 de maio em Santa Rosa, traz como grande diferencial um compromisso inédito com o meio ambiente. Pela primeira vez, a feira será "Carbono Zero", uma iniciativa que coloca a região noroeste do Rio Grande do Sul na vanguarda das discussões globais sobre mudanças climáticas.
A grande novidade desta edição é a neutralização das emissões de gases poluentes gerados durante o evento. Em entrevista à Rádio Sepé, Estela Zamberlan Schwerz, presidente da Comissão de Sustentabilidade da Fenasoja, explicou que o processo envolve um inventário detalhado de tudo o que é emitido, desde a montagem até o encerramento da feira.
"Dizer que a Fenasoja será neutralizada por carbono é, de uma forma geral, medir a quantidade de gases que são gerados durante o evento e fazer uma compensação por crédito de carbono", afirmou Estela.
A compensação será viabilizada por meio de créditos de carbono doados pela Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR). Empresa gaúcha reconhecida pela ONU, a CRVR atua na valorização e destinação final de resíduos e possui capacidade para reduzir 400 mil toneladas de CO₂ por ano, transformando o biogás gerado em aterros sanitários em energia limpa. O cálculo do inventário incluirá o consumo de energia elétrica, o deslocamento das equipes de staff e até o transporte dos visitantes até o Parque de Exposições.
As ações têm como linha norteadora a Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas, estruturada em 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A sustentabilidade permeará todas as etapas do evento, da montagem dos estandes à desmontagem pós-feira.
A edição de 2026 projeta um público superior a 350 mil visitantes, com entrada gratuita para os mais de 40 hectares de exposições — expectativa que torna a gestão de resíduos sólidos um dos pilares centrais da Comissão de Sustentabilidade. Estela destaca que a estrutura da comissão foi formalizada especificamente para lidar com esses desafios de forma profissional.
Para se ter uma dimensão do volume, na última edição da feira foram geradas mais de 50 toneladas de resíduos em apenas 10 dias. O foco, no entanto, não é apenas o descarte, mas a reciclagem efetiva do material gerado.
"O interessante aqui é o quanto a gente consegue reciclar disso e destinar de forma correta. Na última edição, 10 toneladas foram recicladas através de uma central de triagem", pontuou a presidente da Assessoria.
Para esta edição, a organização estruturou uma série de ações práticas no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson. Coletores identificados serão distribuídos estrategicamente para separação de papel, plástico, metal e orgânicos. Uma equipe de limpeza fará o recolhimento e o encaminhamento do material para triagem ou aterro sanitário. Atenção especial será dada ao óleo de fritura gerado pelos restaurantes da feira, que terá destinação ambientalmente adequada.
As iniciativas de carbono zero e gestão de resíduos estão alinhadas aos ODS da ONU, pauta que a feira pretende aprofundar com a comunidade local. "A Fenasoja sempre traz essas questões que conversam com o dia a dia das pessoas e com os principais debates que temos a nível mundial", reforçou a organização do evento.
A edição de 2026 também contará com o Soy Summit, no dia 30 de abril, reunindo especialistas e lideranças do agronegócio nacional e internacional para debater temas como clima, gestão, ciência e produção e o cenário global da soja.
A Fenasoja 60 Anos reafirma, assim, seu papel não apenas como vitrine do agronegócio, mas como evento consciente do seu impacto ambiental e social no Rio Grande do Sul.
Redação Grupo Sepé