
Prefeitos filiados ao Progressistas (PP) na região das Missões declararam apoio à chapa Gabriel Souza (MDB) e Ernani Polo (PSD) ao governo do Rio Grande do Sul — contrariando o alinhamento oficial do partido com a candidatura de Luciano Zucco (PL). O movimento evidencia uma dissidência de base que Ernano Polo, em entrevista ao programa Aldeia Global, da Rádio Sepé, nesta terça-feira, 5, traduziu como resultado natural de relações construídas ao longo de 31 anos dentro da própria legenda que deixou para trás.
O prefeito de Santa Rosa, Anderson Mantei (PP), confirmou apoio à chapa após encontro com os pré-candidatos durante a Fenasoja. Em entrevista, declarou voto antecipado em Gabriel Souza e reforçou sua proximidade com Ernani Polo, destacando que a decisão também reflete insatisfação com a condução partidária, que teria definido a aliança com o PL sem consulta às bases. Daniel Casarin (Caibaté) e Rodrigo Ribas (São Miguel das Missões) também figuram entre as lideranças progressistas que sinalizaram apoio à chapa.
Ao comentar os apoios que vem recebendo, Polo os interpreta como reconhecimento de um trabalho técnico conduzido sem distinção partidária. "Nossa candidatura é, eu diria, suprapartidária, porque vai ter apoios de lideranças de vários partidos que estarão apoiando por reconhecimento, por agradecimento, por coerência, por lealdade", afirmou.
Polo deixou o Progressistas após 31 anos e se filiou ao PSD de Gilberto Kassab, integrando a chapa encabeçada pelo atual vice-governador Gabriel Souza, que disputa a sucessão estadual. Desde a filiação de Eduardo Leite ao PSD, o partido ampliou significativamente sua representação na Assembleia Legislativa gaúcha, passando de um para nove deputados estaduais.
O racha não surgiu do nada. O PP, detentor da maior base municipal do Rio Grande do Sul em número de prefeitos e vereadores, mergulhou em um embate interno que expôs uma divisão profunda sobre o caminho a seguir na disputa pelo governo estadual nas eleições de 2026. A crise teve como epicentro a disputa entre Polo e o então presidente estadual da sigla, o deputado federal Covatti Filho, que articulou a aproximação com o PL e a candidatura de Zucco — movimento que parcela expressiva das bases rejeitou
Na mesma entrevista, Polo defendeu o projeto que une a chapa: a continuidade da agenda de equilíbrio fiscal iniciada nas gestões anteriores e aprofundada no governo Leite. "A busca do equilíbrio fiscal deve ser uma premissa em qualquer área, em qualquer setor, seja no público, e não diferente no privado", disse o pré-candidato.
Ele listou resultados concretos dessa orientação: repasses em dia para hospitais como o de Santo Ângelo, programas habitacionais com 66% de recursos estaduais e contrapartida municipal, além de iniciativas sociais como o Teacoli (atendimento a autistas), o "Ser Mulher" e o "60 Mais". Para Polo, a experiência do governador Eduardo Leite como ex-prefeito foi determinante para consolidar essa visão municipalista na gestão estadual.
Sobre o cenário eleitoral, Polo adotou tom cauteloso ao comentar as pesquisas de intenção de voto. Lembrou que o processo costuma se intensificar apenas a partir de agosto e setembro, e citou a eleição de 1994 para ilustrar que liderar as sondagens no início do ano não garante qualquer resultado. O pré-candidato destacou que vive um momento positivo, estreitando laços e reforçando os ideais que foram a base de seu trabalho ao longo da trajetória na vida pública.
"A gente pode muitas vezes mudar de opinião, mudar o caminho, mas não perder a direção, não perder a nossa essência", disse Polo, ao se referir à decisão de trocar de partido e ao novo desafio que se apresenta para outubro.
Redação Grupo Sepé