
Documentos obtidos pela Polícia Federal (PF) apontam que um evento de degustação de uísque promovido pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em Nova York, custou cerca de US$ 1 milhão, o equivalente a R$ 5,2 milhões na cotação utilizada pelos investigadores.
O encontro, apelidado nos bastidores de “farra do uísque”, ocorreu em maio de 2024 no Carnegie Club, espaço localizado em Manhattan e conhecido por eventos exclusivos envolvendo charutos e whiskies premium.
Segundo a investigação, os gastos incluíram mais de R$ 3,4 milhões apenas com bebidas alcoólicas. Também foram registradas despesas com locação do espaço, charutos, taxas locais e custos administrativos.
De acordo com os documentos analisados pela PF, os valores gastos no evento foram os seguintes:
Locação do espaço e charutos: US$ 63,9 mil (R$ 328 mil);
Uísque: US$ 674,7 mil (R$ 3,46 milhões);
Taxas locais: US$ 137,1 mil (R$ 704 mil);
Taxa de administração: US$ 73,8 mil (R$ 379 mil);
Outras taxas bancárias: US$ 17.
No total, o custo estimado do evento chegou a US$ 1,023 milhão, equivalente a aproximadamente R$ 5,25 milhões.
Segundo apuração do jornal O Globo, participaram do encontro o senador Ciro Nogueira (PP-PI), os deputados federais Hugo Motta (Republicanos-PB), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ), além do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).
O deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), citado entre os presentes, negou participação no evento.
“Não fui a esse evento. Não bebo uísque e não fumo charuto”, afirmou ao jornal.
O senador Ciro Nogueira também negou ter participado da degustação. Já o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, afirmou que apenas passou em frente ao local enquanto seguia para o hotel e que não entrou no evento.
A investigação da Polícia Federal faz parte de um inquérito que apura a relação entre Daniel Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro. Os investigadores analisam suspeitas envolvendo investimentos realizados pelo Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais do Rio de Janeiro.
Segundo a PF, a proximidade entre Vorcaro e integrantes do governo estadual teria facilitado operações financeiras envolvendo cerca de R$ 3 bilhões em investimentos ligados ao Banco Master.
Mensagens obtidas pelos investigadores mostram que Vorcaro convidou Cláudio Castro diretamente para o evento em Nova York.
“Haverá um evento pequeno. Degustação de whisky”, escreveu o banqueiro ao então governador.
Na sequência, Castro perguntou o horário e o local da reunião e respondeu: “Eu vou”.
A Polícia Federal afirma que, no dia seguinte ao encontro, o Rioprevidência realizou um aporte de R$ 80 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Os investigadores apontam ainda que outros dois investimentos foram feitos posteriormente, nos valores de R$ 80 milhões e R$ 70 milhões.
A corporação investiga possíveis irregularidades na destinação dos recursos públicos e analisa se houve favorecimento indevido nas operações financeiras realizadas pelo fundo estadual.
Até o momento, não houve denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República no caso. Os citados negam irregularidades.
Fonte: O Sul