
No Noroeste Colonial, na cidade de Ijuí, está a Fricke Soldas - Balmer, a maior fabricante de máquinas de solda de toda a América do Sul. Em uma área de 20 mil metros quadrados, a empresa é capaz de produzir 7 mil máquinas ao mês e atende clientes de diversos segmentos, como os setores metalmecânico, automotivo e a indústria naval.
A empresa adotou uma estratégia de verticalização total. E, assim, desenha e monta as próprias placas eletrônicas, produz gabinetes, painéis e desenvolve o software embarcado em suas máquinas. Essa autonomia permite reduzir prazos de entrega e garantir flexibilidade produtiva, garantindo a fabricação em massa dos equipamentos.
A qualidade dos produtos tem aberto portas em gigantes multinacionais, como a Marcopolo, a Randoncorp e a Kepler Weber. Mas um ponto de virada de chave foi o contrato com a Mercedes-Benz, quando a empresa venceu concorrentes como as europeias Kemppi, da Finlândia, e Fronius, da Áustria, para fornecer 120 máquinas de solda.
Na ocasião, foi criado um sistema novo para atender às necessidades da empresa: "Não fornecemos só a máquina, mas todo o sistema de soldagem e monitoramento digital. Foi uma solução completa, a nossa primeira nesse estilo", conta o diretor executivo, Martinho Kelm.
"Eles queriam monitorar o que cada máquina estava fazendo. São 120 máquinas, cada uma com um sistema de monitoramento. Mas a Mercedes-Benz queria que todas aparecessem em uma única tela, como se fosse um sistema de monitoramento para o departamento de manutenção da fábrica, para monitorar tudo ao mesmo tempo. Isso não existia. E criamos aqui em Ijuí", relembra o diretor industrial da empresa, Luciano Fricke.
E foi esse salto que levou a empresa a ingressar em um novo segmento: o de veículos elétricos. Recentemente, a Fricke Soldas - Balmer assinou um contrato com a BYD para o fornecimento de máquinas. A exigência era justamente para que o fornecedor já atuasse no setor automotivo.
"Foi um salto conseguir fornecer para um cliente do patamar da Mercedes-Benz. Isso foi uma porta de entrada para a BYD e começa a abrir outras portas também", avalia Martinho. Hoje, a empresa atua no setor fornecendo equipamentos de solda para marcas como Facchini, Honda, Renault e Fiat.
Além disso, a empresa desenvolveu carregadores para carros elétricos residenciais e de carga rápida para postos de combustíveis. Os produtos, patenteados, são capazes de carregar totalmente carros elétricos em um período de 20 minutos. "Entendemos que conseguiríamos produzir carregadores com uma tecnologia muito parecida com a dos inversores de solda. O conhecimento nós já tínhamos", revela Martinho.
Atualmente, o faturamento anual chega a aproximadamente R$ 120 milhões a partir da Balmer, valor que sobe a R$ 300 milhões considerando todas as atuações do Grupo Fricke. A linha de produtos vai desde máquinas compactas para serralheria até sistemas complexos de robótica industrial e robôs colaborativos (Cobots).
Para suportar essa operação, a Balmer conta com uma rede de 6 mil pontos de venda e 450 assistências técnicas espalhadas pelo Brasil. Além da matriz em Ijuí, a empresa possui centros de distribuição estratégicos em Atibaia (SP) e Conde (PB), atendendo todas as regiões do País.
Outra importante área de atuação da Fricke Soldas - Balmer é a da indústria naval. Conforme o diretor comercial André Fricke, é um mercado em ebulição. "Estávamos até agora pouco negociando máquinas com os estaleiros de Manaus. Hoje, todos eles usam nossas máquinas", conta o executivo. Ao todo, são 14 estaleiros em operação no polo naval da capital amazonense.
No caso do Estaleiro Rio Grande, as demandas oscilam com maior frequência, embora a empresa também comercialize com a indústria naval gaúcha. Em 2025, o polo localizado na cidade de Rio Grande, no Sul do Estado, anunciou a retomada das atividades, com contratos bilionários ligados à Petrobras e à Transpetro para a construção de embarcações. As atividades devem iniciar neste ano.
"Já fizemos as homologações das máquinas e estamos fazendo o trabalho inicial com eles. Agora, o Estaleiro Rio Grande está se preparando para iniciar os trabalhos e estão vendo o que sobrou das máquinas de fabricação", conta André.
Nesses casos, a produção funciona sob demanda. "São máquinas grandes e você costuma ter um prazo de seis a oito meses para finalizar. Isso significa em torno de 20% do nosso faturamento. Os outros 80% fabricamos para estoque. Temos uma rede de distribuidores e representantes em todo o País, mas não fazemos vendas diretas, exceto para grandes clientes, como a Kepler Weber e a Mercedes-Benz. A maior parte da produção, vamos regulando conforme o ritmo de venda e saída", acrescenta Martinho.
Fonte: Jornal do Comércio