
Depois de painéis individuais e um debate com os pré-candidatos a governador do Estado, chegou a vez dos postulantes a vice se enfrentarem no Tá Na Mesa Pré-Eleições, promovido pela Federasul nesta quarta-feira (17). Menos combativos do que os titulares, Cláudio Diaz (PSDB), Edegar Pretto (PT), Ernani Polo (PSD) e Silvana Covatti (PP) puderam expor ideias que vão defender em um eventual governo sem gastar tanto tempo com críticas aos adversários.
O salão nobre da entidade empresarial ficou lotado para acompanhar o debate, mas a maioria das cadeiras estava ocupada por apoiadores das quatro chapas. Os militantes aplaudiam efusivamente após a fala do seu candidato, principalmente aliados de Ernani e Silvana, estreantes em debates. Os dois, assim como Diaz, chegaram acompanhados dos respectivos cabeças de chapa: Gabriel Souza (MDB), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB).
Pretto, aniversariante do dia, foi o único que não teve a companhia da candidata a governadora. Juliana Brizola explicou que estava organizada para ir, mas justificou a ausência com "outra agenda importante da pré-campanha" que precisou participar, sem especificar o compromisso.
Nos confrontos, nenhum dos quatro se aprofundou nas ideias apresentadas, apesar de terem deixado claras suas intenções para um futuro governo. Enquanto Ernani defendeu as ações do atual governo — repetindo discurso de Gabriel Souza (MDB) de que em caso de vitória da aliança MDB-PSD será uma evolução da gestão de Eduardo Leite —, os adversários apostaram em cobranças sobre as filas na saúde, ao desenvolvimento econômico e a educação.
— O atual governo não faz os investimentos constitucionais de 12% na saúde. Sabemos a tragédia na saúde do Rio Grande do Sul. São 850 mil pessoas aguardando atendimento no Estado. É lamentável que vocês venham para uma candidatura, que é uma continuidade desse governo, e ainda entendam que está bom. Não está — criticou Diaz.
O principal embate recaiu sobre o passado dos pré-candidatos. Logo na abertura, Ernani lembrou dos partidos que estavam no governo até pouco atrás e hoje se opõem — casos de PSDB, ex-partido de Leite, PDT e PP.
— Resolver dá trabalho. O Rio Grande precisa avançar e queremos propor novo jeito de andar para frente e não empurrar o Estado para os extremos, que não constroem soluções aos problemas que temos. O Rio Grande avançou se compararmos com alguns anos atrás, quando muitos dos partidos que estão aqui compuseram e participaram de governos que ajudaram a fazer as transformações e precisamos reconhecer isso por coerência — cutucou Ernani.
Mais tarde, questionada pelo próprio Ernani sobre segurança pública, Silvana aproveitou para responder o oponente:
— Fui parceira, sim, para as mudanças no Estado. Mas acredito que possamos avançar mais em segurança pública. Como mulher, como mãe, é inadmissível termos a gravidade dos feminicídios no Estado, a insegurança dos nossos filhos quando saem de casa. Vamos buscar parcerias na iniciativa privada para combater os feminicídios.
Quando Silvana perguntou a Edegar sobre propostas para a infraestrutura do Estado, o petista aproveitou para dizer que os três adversários fizeram parte do mesmo projeto nos últimos 12 anos.
— Este projeto se esgotou. Faltou boa vontade, iniciativa, olhar para os problemas de frente. As concessões que foram feitas, que não somos contrários, ficaram boas para um lado só. Temos que trabalhar para integrar os modais rodoviário, ferroviário e hidroviário.
Mais tarde, próximo do fim, Ernani lembrou que Edegar integra a coligação com o PDT, que não só compunha a base de Eduardo Leite, como fez parte dos últimos sete governos estaduais.
Também perdurou o tema envolvendo o investimento bilionário da CMPC no Estado, que enfrenta entraves judiciais para sair do papel. Ernani perguntou qual seria a política de segurança jurídica de Edegar, reforçando manifesto da bancada federal gaúcha de apoio ao negócio sem assinatura de deputados do PT e lembrando da Ford, que escolheu não instalar fábrica em Guaíba por não receber incentivos fiscais do governador Olívio Dutra (PT) em 1999.
— Juliana e eu estivemos na CMPC para dizer que têm total apoio nosso. Vamos garantir segurança jurídica para atrair mais investimentos e transformar o Rio Grande num canteiro de obras. Foi o presidente Lula que garantiu o primeiro passo para permitir esse investimento. Vemos, infelizmente, o governo do Estado atuando como um espectador — afirmou Edegar.
— O governo trabalhou na mudança na legislação ambiental para possibilitar o aumento do plantio da silvicultura. Governo está focado e trabalhando. Esse ambiente hostil ao empreendedor não pode voltar ao nosso Estado — enfatizou Ernani.
— Ao contrário da CMPC, a Ford tinha investimento de dinheiro público. Quando voltou a pagar impostos na Bahia, deixou o Estado. Como diz Olívio Dutra, não foi o Rio Grande que perdeu a Ford, foi a Ford que perdeu o Rio Grande — contestou Edegar, na tréplica.
Em outro momento, Edegar exibiu gráfico que compara o crescimento do PIB do Brasil em comparação com o do Estado. Segundo o dado apresentado pelo petista, somente nos governos petistas de Olívio Dutra e Tarso Genro, o Rio Grande do Sul superou o crescimento nacional. Entre aplausos tímidos da plateia, destacaram-se risadas após a manifestação, vindas majoritariamente dos apoiadores de Zucco e Silvana.
A avaliação ao final do debate era positiva, tanto de empresários que acompanharam o evento quanto de integrantes das quatro campanhas. Com menos embates, os postulantes a vice tiveram mais espaço para confrontar ideias e propostas.
Edegar e Ernani tiveram um rápido encontro amigável na saída do salão nobre da Federasul. Questionados pela coluna sobre "quem ganhou o debate", Edegar foi direto:
— Acho que fui eu.
— Foi "Edegar Polo" — corrigiu Ernani, lembrando de brincadeira que os dois faziam quando eram colegas na Assembleia, em razão de terem as mesmas iniciais.
Fonte: GZH