
Com cerca de 56 milhões de seguidores, Virginia Fonseca é uma das maiores influenciadoras do Brasil. É conhecida por mostrar sua rotina com os filhos, viagens, ostentar bolsas de luxo e também divulgar casas de apostas.
Na quarta-feira (8), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) protocolou uma ação contra Virginia e a casa de apostas Blaze, pedindo que ambas paguem, de forma solidária, pelo menos R$ 120 milhões como reparação pelos danos causados à sociedade, segundo o Metrópoles.
Segundo reportagem do G1, o Ministério Público (MP) afirma que, no dia do jogo entre Cabo Verde e Argentina, a influenciadora publicou um stories incentivando os seguidores a apostarem na vitória da seleção de Cabo Verde. De acordo com o MP, a publicação não estava identificada como publicidade.
Conforme o Ministério Público, foi utilizada uma linguagem emocional de "esperança" para convencer o público a realizar apostas, sem apresentar as probabilidades reais, o que poderia induzir os consumidores a perdas financeiras.
"Como esperado pelo senso médio, a Seleção da Argentina venceu a partida (3 a 2), impondo perda integral aos consumidores que seguiram a recomendação", diz o Ministério Público.
O Ministério Público solicita, em caráter de urgência, que a influenciadora remova de suas redes sociais todo conteúdo publicitário relacionado a apostas que prometa ganhos irreais, possa induzir o consumidor ao erro, incentive apostas em equipes, eventos ou resultados esportivos específicos ou utilize publicidade mascarada de conteúdo familiar, pessoal ou de viagens com o objetivo de promover apostas.
(As informações acima foram retiradas de reportagem do G1.)
Nota da defesa da Blaze:
"A Foggo Entertainment Ltda, detentora da marca e Operação Blaze no Brasil, esclarece que, até o presente momento, não foi formalmente intimada a respeito do referido procedimento do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT). A Foggo se mantém comprometida com a transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país. Nossas operações e parcerias são sempre pautadas pelas melhores práticas de mercado, com foco absoluto na segurança de nossos usuários, seguindo princípios legais e normas aplicáveis, assim como com base nas diretrizes de Jogo Responsável. Assim que formalmente notificada, a Foggo prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes e a quem mais se fizer necessário."
A defesa da influenciadora Virginia também se pronunciou. A nota é assinada pelo advogado Sanderson Mafra. Veja abaixo:
"A defesa de Virginia Fonseca tomou conhecimento, por meio da imprensa, nesta quinta-feira (9), da Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). As alegações serão respondidas tecnicamente nos autos.
Contudo, cabe destacar que a própria petição inicial reconhece a existência de diligências ainda pendentes, incluindo a requisição de contratos e outras informações relevantes. Esses documentos são essenciais para o completo esclarecimento dos fatos, especialmente quanto à natureza do vínculo, à forma de remuneração e aos limites da atuação publicitária de Virginia Fonseca.
A defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda. A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores. A responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora. A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no Poder Judiciário e prestará todos os esclarecimentos nos autos, oportunidade em que demonstrará, de forma técnica e documentada, a improcedência dos pedidos formulados contra Virginia Fonseca."
Virginia já prestou depoimento na CPI das Bets
Em maio de 2025, Virginia Fonseca foi convocada para prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, no Senado Federal.
Durante o depoimento, a influenciadora afirmou que segue a legislação vigente, que seus contratos são legais, que nunca recebeu comissão sobre as perdas dos apostadores e que os vídeos publicados em suas redes sociais são identificados como publicidade.
Em uma de suas falas na CPI, Virginia Fonseca justificou:
"Quando eu posto, sempre deixo muito claro que é um jogo, que pode ganhar e pode perder. Que menores de 18 anos são proibidos na plataforma. Se possui qualquer tipo de vício, o recomendado é não entrar. E para jogar com responsabilidade."
Apostas podem causar prejuízos financeiros, vício e problemas de saúde mental
A Agência Brasil explica que um estudo divulgado em 2025 apontou que as apostas on-line e os jogos de azar geraram um custo social de R$ 38,8 bilhões por ano no Brasil. O valor considera gastos com saúde, desemprego, afastamentos do trabalho e problemas psicológicos relacionados ao jogo.
Alguns sinais podem indicar que uma pessoa desenvolveu dependência em apostas on-line. De acordo com o Ministério da Saúde, entre eles estão:
mudanças na alimentação, no sono ou no humor;
dificuldade para reduzir ou parar de apostar;
mentiras para familiares e amigos sobre o hábito de jogar;
uso das apostas como forma de aliviar o estresse ou a frustração;
consumo excessivo de álcool ou outras drogas;
gastos excessivos com jogos, comprometendo o orçamento familiar.
Tem como procurar ajuda?
Sim. Segundo o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece assistência por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e atendimento especializado nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Fonte: Ana Carolina Zago/Redação do Grupo Sepé