SAÚDE
24/05/2026 às 14:00 por Ana Carolina Zago


Uruguai registra primeira eutanásia legal um mês após nova lei entrar em vigor

Uruguai registra primeira eutanásia legal um mês após nova lei entrar em vigor
Foto: Unsplash

O Uruguai registrou, na sexta-feira (22/5), a primeira eutanásia legal do país desde a entrada em vigor da regulamentação da chamada Lei de Morte Digna. A paciente era uma mulher de 69 anos, internada no Hospital Policial, com câncer de pâncreas em fase terminal e metástases pulmonar, renal e hepática avançadas.

Segundo a imprensa internacional, a mulher estava internada havia 10 dias e recebia cuidados paliativos desde o diagnóstico da doença. Ela cumpriu todos os requisitos legais para receber a morte assistida. A paciente assinou o consentimento na última quarta-feira (20/5). O procedimento ocorreu dois dias depois.

Lei entrou em vigor em abril

A regulamentação da eutanásia entrou em vigor em 21 de abril, após a assinatura da ministra da Saúde Pública, Cristina Lustemberg, e do decreto regulamentar pelo presidente Yamandú Orsi.

A lei 20.431 transformou o Uruguai no primeiro país da América Latina a regulamentar a eutanásia por meio de legislação aprovada no Parlamento. Colômbia e Equador já permitiam a prática, mas por decisões de suas cortes constitucionais.

Pela regra uruguaia, o procedimento só pode ser solicitado por maiores de idade, cidadãos uruguaios ou residentes no país, considerados psicologicamente aptos. Também é necessário ter doença incurável ou irreversível, em fase terminal, ou sofrimento intenso com deterioração grave da qualidade de vida.

A solicitação precisa partir do próprio paciente, de forma pessoal e por escrito, diante de um médico. O profissional deve avaliar a história clínica, confirmar que a decisão é livre, séria e firme, e explicar as alternativas disponíveis, incluindo cuidados paliativos.

Depois da primeira avaliação, um segundo médico deve analisar o caso presencialmente. O consultor precisa ser clínico ou especialista na doença do paciente e não pode ser parente, subordinado do primeiro médico nem objetor de consciência.

Caso os dois profissionais entendam que os requisitos foram cumpridos, o processo pode avançar. Se houver discordância, uma junta médica avalia a situação. A lei também permite que o paciente desista da decisão em qualquer momento, sem precisar apresentar justificativa.

Brasileiros podem ter acesso?

Brasileiros só podem solicitar o procedimento no Uruguai se tiverem residência permanente no país e conseguirem comprovar a condição de forma fidedigna. No Brasil, a eutanásia não é permitida e é tratada como crime. O primeiro caso uruguaio ocorre cerca de um mês após a entrada em vigor do protocolo sanitário previsto pela nova legislação.

Fonte: Metrópoles 


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