GERAL
06/01/2020 às 11:28


Papa ordena a criação de comissão para avaliar crimes sexuais cometidos por padres, em Porto Alegre

Papa ordena a criação de comissão para avaliar crimes sexuais cometidos por padres, em Porto Alegre

A tolerância zero determinada pelo Papa Francisco em relação a abusos sexuais cometidos por padres, outros religiosos e agentes de pastoral está prestes a ser implantada na Arquidiocese de Porto Alegre. Um grupo formado por especialistas e autoridades trabalha desde agosto para lançar em fevereiro, na Quarta-feira de Cinzas, com a Campanha da Fraternidade de 2020, a Comissão Arquidiocesana Especial de Promoção e Tutela de Crianças, Adolescentes e Pessoas Vulneráveis.

Por trás do nome complexo, está uma estrutura que tem o desafio de avaliar e simplificar processos que por décadas macularam a imagem da Igreja diante do problema dos abusos acobertados por superiores e nunca punidos.

A comissão é composta por padres, uma delegada da Polícia Federal (PF), uma procuradora de Justiça e por psicopedagogas, psicólogas, psiquiatras, uma assistente social e um jurista.

Em maio do ano passado, o Papa deu prazo até junho de 2020 para que todas as arquidioceses do mundo criassem canais para denúncias e comissões para apuração de suspeitas de abusos sexuais. A Arquidiocese de Porto Alegre é a primeira no país a formular regramento de como os casos devem tramitar e serem apurados, além de ser uma das primeiras a instalar o comitê.

“A criação da comissão é a resposta ao documento Vos Estis Lux Mundi (Vós sois a luz do mundo), carta do papa Francisco lançada em maio. O texto expressa a determinação da comunidade de fé em colaborar no combate ao abuso de poder, consciência e sexual. Desde que a Igreja se viu atingida de forma mais direta por esse tipo de crime, inaugurou-se um caminho para combatê-lo em todos as instâncias da vida eclesial, incluindo informação e formação”, destaca dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano.

Entre as determinações do Papa, está o fim do sigilo. Qualquer cidadão poderá ter informações sobre situações suspeitas que estejam sob investigação. Casos que chegarem ao conhecimento da Igreja serão compartilhados com o Ministério Público (MP) e as polícias. E, em no máximo 30 dias, a situação tem de ser informada à Congregação para Doutrina da Fé, em Roma. Se não fizer essas comunicações, o superior responsável será deposto imediatamente.

Fonte: GaúchaZH


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