CIDADE
25/10/2022 às 20:40 por Patrick Siede


Morangos: um hobby que virou negócio

Morangos: um hobby que virou negócio
Fotos: Patrick Siede | Grupo Sepé

Conhecida como uma comunidade destaque na produção de melão, Ilha Grande, no interior de Santo Ângelo, possui produtores rurais com propriedades diversificadas quando se trata de produção de alimentos. A família Mose, com residência localizada logo depois do salão da comunidade, é um exemplo desta diversidade de produção. Na propriedade, tem como carro chefe de produção, quando o assunto é alimentos, a hortaliça do repolho, que atualmente tem implantado três variedades, além do melão, melancia, cenoura, beterraba, peixe e as grandes culturas da soja, milho e trigo. Mas, em 2021, foi implementada na propriedade uma estufa para produção de moranguinhos.

Antes a produção da fruta era a céu aberto, ficando suscetível às intempéries do clima. Através de um financiamento junto a Cooperativa Sicredi, a família construiu uma estufa com três mil mudas de morangos vindos da Argentina. “De um hobby da mãe, deu certo a produção de moranguinhos”, conta o produtor Rodrigo Werster Moser, de 41 anos. 

PRODUÇÃO

A produção do moranguinho é feita através do sistema semi-hidropônico, em prateleiras, onde são fi xadas as embalagens com os substratos e o sistema de irrigação. O que possibilita o manejo da cultura é poder ser realizado em pé. A estufa proporciona a proteção das plantas do efeito da chuva e facilita a ventilação, condições estas que impedem o estabelecimento de doenças, reduzindo a necessidade de aplicação de agrotóxicos no moranguinho. O sistema de irrigação é o de gotejamento, por onde também é realizada a adubação.

Conforme o produtor, um pé de moranguinho tem a potencialidade de produção de até 1kg durante sua safra, sendo de forma escalonada, ou seja, em um mesmo pé podem ser encontrados frutos maduros, em fase de amadurecimento e verdes. Nesta mesma fase de safra, a planta também se reproduz através de mudas, a planta fi ca cerca de quatro meses em dormência sem produção, iniciando a sua frutifi cação a partir de junho até janeiro. Atualmente, está em plena safra.

ASSISTÊNCIA TÉCNICA

Rodrigo comenta a difi culdade de orientação técnica para a cultura, especialmente com relação a adubação, precisando buscar auxílio fora do município. “Santo Ângelo é fraca nesta área de adubação, temos a Emater que ajuda, mas não o sufi ciente. Fizemos o projeto e buscamos auxílio junto à Agriflora, em Ijuí”.

Segundo a chefe do escritório da Emater em Santo Ângelo, Márcia Dezen, a difi culdade em atender as mais de 1.200 propriedades rurais no município é devido à equipe da entidade possuir apenas uma agrônoma, que é ela mesma. A equipe básica ideal para atender os agricultores, que em sua maioria são pequenos produtores, deveria ser de três profi ssionais.

COMÉRCIO

Difícil encontrar uma pessoa que não goste de morangos, só de ver a cor avermelhada o pedalar costuma aguçar. Com boa aceitação no mercado, a família apostou no hobby da matriarca. Com três mil pés em produção, a comercialização do quilo da fruta gira em torno de R$ 25,00. Rodrigo projeta uma lucratividade líquida de 30% a mais que em 2021, primeiro ano de safra. O principal comprador da fruta é o consumidor direito, e a família vai até a cidade para a entrega.

O que faz o produto agregar valor, diante da difícil mobilidade pelas estradas do interior, que recebem precários reparos, inviabilizando expansão da produção na propriedade rural.

SISTEMA SEMI-HIDROPÔNICO

As diferenças do sistema semi-hidropônico em relação ao cultivo no solo começam pela estrutura. Dentro de um abrigo protegido por lona plástica são construídas bancadas, geralmente de madeira, com cerca de 70 centímetros de altura. Sobre elas fi cam os slabs (sacos plásticos preenchidos com substrato) onde as mudas são plantadas. Essa estrutura precisa ser forte e durável, e o local deve estar protegido dos ventos fortes. A composição do substrato onde as plantas desenvolvem as raízes varia bastante, mas os materiais mais comuns são cascas de arroz carbonizada, húmus de celulose, cascas de pinus compostadas, turfa e fi bra de coco. Fonte: Epagr

IRRIGAÇÃO POR GOTEJAMENTO

No cultivo protegido do morango semi-hidropônico, utiliza-se a irrigação por gotejamento. A irrigação localizada tem como vantagens: alta efi ciência de aplicação, economia de água, energia e mão-de-obra, permite automatização, fertirrigação e não interfere nos tratos fitossanitários. Este sistema aplica água diretamente na região das raízes. Fonte: Embrapa

Fonte: Patrick Siede | Redação do Grupo Sepé 

 


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