
Na manhã desta quinta-feira, 8, agricultores franceses realizaram protestos em Paris e em outras cidades da França. Na capital, a maior parte do "tratoraço" foi impedida de entrar no centro, mas grupos conseguiram posicionar tratores em pontos simbólicos como a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo e em frente à Assembleia Nacional.
O recado dos manifestantes é único: não ao acordo com o Mercosul. Cartazes com frases como “Não toquem nas nossas vacas” dão o tom da mobilização. Apesar dos fortes subsídios governamentais, os produtores rurais franceses enfrentam dificuldades econômicas e temem que a situação piore, alegando incapacidade de competir com o agronegócio do Mercosul — especialmente com a força do Brasil.
Após 25 anos de negociações, o acordo foi assinado em Montevidéu em dezembro de 2024. No entanto, para entrar em vigor, ele precisa ser aprovado pelos parlamentos dos países membros da União Europeia. O governo de Emmanuel Macron, desgastado e temendo a pressão do forte lobby agrário no parlamento, apostou na estratégia da “minoria de bloqueio”.
Até então, Polônia, Irlanda e Áustria estavam alinhadas à França. Para o plano francês funcionar, o apoio da Itália era fundamental. Em dezembro, houve um recuo italiano, e o presidente Lula chegou a confirmar que estava em conversas diretas com a premiê Giorgia Meloni para destravar o tratado.
Recentemente, a União Europeia anunciou incentivos adicionais ao setor: um acesso antecipado de 45 bilhões de euros para os agricultores do bloco e isenções tarifárias para fertilizantes (que chegavam a pagar 25% de imposto).
Neste novo cenário, a Itália mudou de posição e deve agora apoiar o acordo, o que viabiliza a sua implementação definitiva. A concretização do tratado é vista como benéfica para ambos os lados:
Para o Mercosul: Acesso a um mercado de 450 milhões de consumidores com alto poder aquisitivo.
Para a Europa: Facilidade na exportação de máquinas, carros e produtos industriais, além de benefícios para produtores europeus de vinhos, queijos e laticínios, que terão tarifas reduzidas.
Se confirmado, o acordo representa uma derrota para a diplomacia francesa. Atualmente, a Europa encontra-se "entre a cruz e a espada": de um lado, a expansão comercial agressiva da China e, do outro, a política protecionista e a guerra comercial de Donald Trump nos Estados Unidos.
Essa nova realidade geopolítica impõe que a Europa busque novas alianças e blocos comerciais, seja com o Mercosul, Canadá, Austrália ou com o continente africano.
Fonte: Band.com.br