
Os preços de alimentos básicos da cesta de consumo, como arroz e feijão, deram trégua ao longo de 2025 e contribuíram para aliviar a inflação sentida pelas famílias de renda mais baixa no Brasil. A avaliação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que, por meio do Indicador de Inflação por Faixa de Renda, aponta uma desaceleração significativa dos índices para a maioria das classes sociais, apesar da pressão exercida por despesas como energia elétrica, gás de botijão e custos com saúde e cuidados pessoais.
De acordo com o levantamento, a inflação para o segmento de renda muito baixa caiu de 4,91% em 2024 para 3,81% em 2025. Já entre as famílias de renda mais alta, o movimento foi inverso: a inflação acelerou de 4,43% para 4,72% no mesmo período. O estudo utiliza como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, que também apresentou desaceleração, passando de 4,83% em 2024 para 4,26% em 2025.
Segundo a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Maria Andreia Parente Lameiras, o resultado consolidado de 2025 mostra que, com exceção da faixa de renda alta, todas as demais classes registraram queda da inflação em relação ao ano anterior. O indicador divide as famílias em seis faixas de renda, que vão desde rendimentos mensais inferiores a R$ 2.202,02 até valores acima de R$ 22.020,22.
Em 2025, quanto menor a renda familiar, mais branda foi a inflação acumulada, cenário oposto ao observado em 2024, quando os grupos mais vulneráveis sentiram com mais intensidade o aumento de preços. A principal razão para essa descompressão inflacionária, conforme o Ipea, foi a forte desaceleração dos preços dos alimentos consumidos no domicílio, cuja variação caiu de 8,2% em 2024 para apenas 1,4% em 2025. Também contribuíram, em menor escala, a queda nos preços de produtos eletroeletrônicos e a desaceleração da gasolina.
Por outro lado, os principais focos de pressão inflacionária em 2025 foram os grupos habitação e saúde e cuidados pessoais. Pesaram, especialmente, os reajustes da energia elétrica, do gás de botijão, dos medicamentos, serviços de saúde e planos de saúde. Entre as famílias de renda mais alta, despesas com transporte, educação e lazer também tiveram impacto relevante.
No recorte mensal, entre novembro e dezembro de 2025, a inflação voltou a acelerar em todas as faixas de renda, indicando que, apesar do alívio ao longo do ano, o custo de vida segue como um desafio para as famílias brasileiras.