
Com um orçamento de R$ 462 milhões previsto para o ano de 2026, a prefeitura de Santo Ângelo enfrenta uma situação financeira delicada.
O pagamento do passivo atuarial, de cerca de R$ 4,5 milhões mensais, além das parcelas de cerca de R$ 1 milhão por mês referentes ao último financiamento feito pelo poder público em 2024, são frequentemente apontados como alguns dos itens que têm prejudicado o caixa do Executivo municipal, impedindo investimentos próprios em áreas essenciais.
Lideranças que compõe o governo do prefeito Nivio Braz (PL) têm afirmado que a atual gestão herdou uma prefeitura altamente endividada, apontando a administração do ex-prefeito Jacques Barbosa como responsável pelo caos financeiro.
O próprio prefeito Nivio já disse em entrevistas recentes que a dívida do município “gira em torno de R$ 1 bilhão”, levando em conta o passivo do fundo de aposentadorias, de aproximadamente R$ 850 milhões.
Em entrevista à Rádio Sepé nesta sexta-feira, 20, durante o lançamento do Conecta Missões, em Santo Ângelo, Jacques Barbosa foi indagado sobre as críticas feitas por integrantes do atual governo.
“A prefeitura é uma administração contínua. Eu, quando recebi a prefeitura, também tinha dívidas. A diferença é que eu não ficava chorando, eu não fui eleito na época para ficar chorando porque não tem dinheiro. Eu fui eleito para resolver os problemas e atender nossa comunidade, e assim fizemos”, disse Barbosa, que atualmente é diretor da Secretaria de Cultura do RS.
Jacques citou, ainda, que durante suas duas gestões pagou mais de R$ 60 milhões em empréstimos de gestões anteriores. “E nunca reclamei por isso. Ao contrário, até acho correto, (o empréstimo) é um meio de levar o asfalto na frente das casas, iluminação de LED, de ter um novo parque de máquinas. Paguei mais do que pedi, e se todos fizerem isso, vai chegar um ponto que vai acabar a dívida”, resumiu.
Por fim, Jacques ressaltou que, ainda em 2023, a Câmara de Vereadores aprovou o empréstimo de R$ 39 milhões feito por sua gestão, inclusive com voto favorável do atual vice-prefeito, Carlos Gonçalves, que à época era vereador.
"Não teve nada ilegal nesse empréstimo. Se tinha alguma coisa errada, por que não falaram antes?", indagou.
Enquanto isso, na quarta-feira, 18, a Câmara de Vereadores aprovou o projeto da reforma previdenciária municipal, que endurece regras para acesso a aposentadorias e prevê contribuição de inativos, em uma tentativa de amenizar o impacto mensal dos valores pagos ao Fundo de Previdência.
Redação Grupo Sepé