
Conforme se aproximam as eleições de outubro deste ano, os partidos vão se organizando em torno das pré-candidaturas já anunciadas. A pouco mais de sete meses do primeiro turno da disputa ao Palácio Piratini, há pelo menos seis postulantes confirmados: Luciano Zucco (PL), Edegar Pretto (PT), Juliana Brizola (PDT), Gabriel Souza (MDB), Marcelo Maranata (PSDB) e Evandro Augusto (Missão). Além destes, Covatti Filho (PP) também já foi anunciado como pré-candidato, mas a tendência é que o partido integre chapa com Zucco.
Das seis pré-candidaturas confirmadas, três já tiveram apoio oficializado por outros partidos: Zucco, Pretto e Souza. Já Juliana, Maranata e Augusto estão, por ora, apenas com as suas respectivas siglas. Foi oficializado que o deputado federal Luciano Zucco terá o apoio do Novo, Podemos e Republicanos, além de estar próximo de firmar aliança com o PP.
Já o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento, Edegar Pretto, está aliado com PCdoB e PV – com os quais o PT é federado – e com a federação PSOL-Rede Sustentabilidade. Os petistas ainda buscam o PSB e o PDT. Quanto ao atual vice-governador, Gabriel Souza tem apoio do PSD e do União Brasil.
Com a pré-candidatura posicionada mais à direita entre as confirmadas e com uma ligação umbilical com o bolsonarismo, Zucco tem pelo menos três alianças partidárias oficializadas, além do próprio PL, com Novo, Podemos e Republicanos integrando a coligação. O PP também pode integrar a chapa, mas o partido passava, até esta segunda-feira (2), por um racha entre um grupo liderado pelo presidente estadual Covatti Filho e outro encabeçado pelo deputado estadual Ernani Polo.
Em janeiro deste ano, Covatti Filho convocou reunião da direção para deliberar sobre um indicativo de como o partido deveria se posicionar nas eleições ao governo Piratini neste ano. Porém, diversas lideranças boicotaram o encontro por considerarem precipitada a definição e por observarem a necessidade de terem mais tempo para avaliarem como o PP gaúcho se posicionaria.
Apesar disso, Covatti manteve a reunião, e a diretoria votou por uma aliança com o PL na disputa ao Executivo. Em resposta, o deputado estadual Eranini Polo (PP), que liderou o boicote ao encontro, anunciou sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul e, nesta segunda-feira, revisou a posição e se retirou da disputa.
Aliás, não foi apenas a aliança entre PP e PL que foi deliberada naquela reunião, mas também o aceite a uma carta oficial enviada pela presidência do Partido Liberal para que as siglas caminhassem juntas e, mais próximo da eleição, fosse definido que o pré-candidato melhor posicionado nas pesquisas eleitorais – entre Zucco e Covatti - encabeçaria a chapa, enquanto a outra legenda indicaria o vice.
Acontece que o pré-candidato do PL aparece muito à frente do presidente estadual do PP em todas as pesquisas já divulgadas, e a tendência é que esta aliança com Zucco liderando a coligação tendo um vice progressista está próxima de ser confirmada, o que também sepultaria a candidatura de Polo. À esquerda, Edegar Pretto acumula o apoio de legendas orientadas neste campo. A federação PT-PCdoB-PV caminhará junto com outra, a PSOL-Rede.
Os petistas também buscam aliança com o PSB, que ainda não deliberou sobre como se posicionará no pleito ao Piratini, mas uma das lideranças do partido no Rio Grande do Sul, o ex-deputado Beto Albuquerque, compareceu ao evento de lançamento de uma caravana liderada por Pretto ao interior do Estado, e indicou que a sigla deveria se aliar ao PT na disputa ao Piratini e deixar o governo Eduardo Leite, o qual atualmente integra.
Esta posição, porém, é individual de Albuquerque, tendo em vista que o presidente estadual da sigla, José Stédile, divulgou nota oficial afirmando “que não houve qualquer reunião, deliberação ou decisão partidária sobre saída do governo estadual ou definição de apoio a candidaturas ao governo do Estado”. A decisão do PSB deve ser tomada após a legenda ouvir as suas bases.
A esquerda gaúcha ainda tem a indefinição sobre uma possível aliança do PT com o PDT, algo defendido por diversos quadros de ambos os partidos, com destaque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu Juliana Brizola no Palácio do Planalto em meados de fevereiro.
Dias antes, no final de janeiro, o presidente nacional pedetista, Carlos Lupi, esteve em Porto Alegre e defendeu a unificação da centro-esquerda gaúcha em torno da neta de Leonel Brizola. Esta união entre as siglas não é confirmada e nem descartada, e, até agora, Juliana e Pretto mantêm suas pré-campanhas.
Ao centro na disputa está Gabriel Souza. Atual vice-governador do Rio Grande do Sul, o emedebista recebeu a benção do governador Eduardo Leite (PSD) para ser o candidato da sucessão de seu governo no Estado. Justamente por conta disso, Souza tem o apoio do PSD, cuja grande liderança em solo gaúcho é Leite, além do União Brasil, que tem forte ligação com a atual administração do Piratini desde o seu início.
No caso do União Brasil, a aliança foi confirmada pelo presidente estadual da sigla, Luiz Carlos Busato, que esteve no último mês de dezembro reunido com Leite e Gabriel Souza para formalizar o apoio à pré-candidatura do atual vice-governador gaúcho. As pré-candidaturas de Juliana Brizola, Marcelo Maranata e Evandro Augusto ainda não receberam apoio oficial de outras siglas.
Luciano Zucco (PL): Republicanos, Novo, Podemos;
Edegar Pretto (PT) - PCdoB, PV, PSOL e Rede Sustentabilidade;
Gabriel Souza (MDB) - PSD, União Brasil;
Marcelo Maranata (PSDB) - sem aliança oficializada;
Juliana Brizola (PDT) - sem aliança oficializada;
Evandro Augusto (Missão) - sem aliança oficializada;
Covatti Filho (PP)*
*A tendência é que o PP se alie com Luciano Zucco e indique vice para a chapa, tendo em vista indicativo do partido em reunião de 20/01/2026 de se aliar ao PL e aceitar acordo proposto em carta pela direção do Partido Liberal.
Fonte: Jornal do Comércio