
O dólar sobe nesta terça-feira (7), com o ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã aceite um acordo e reabra o estreito de Hormuz, elevando a busca por ativos de segurança.
A escalada do conflito, com ataques entre Israel, Irã e EUA, além de ameaças de Trump ao regime iraniano, também pressiona os mercados.
Às 15h29, a moeda norte-americana avançava 0,28%, cotada a R$ 5,161. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes, subia 0,17%, a 99,90 pontos.
No mesmo horário, a Bolsa registrava baixa de 0,40%, a 187.377 pontos. O movimento acompanha Wall Street, onde os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones recuavam até 0,63%.
Na manhã desta terça, o presidente norte-americano aumentou o grau das suas ameaças ao regime e à população do Irã. Trump escreveu em postagem na Truth Social que uma "civilização inteira" vai morrer em ataques americanos caso as partes não cheguem a um acordo para a reabertura do estreito de Hormuz nas próximas horas.
Nos últimos dias, o político tem reforçado o prazo que deu à liderança persa: esta terça, 21h, no horário de Brasília. O presidente americano também disse que, caso não haja acordo até lá, "todas as pontes e todas as usinas de energia" do Irã serão destruídas a partir de 1h de quarta (8).
O bloqueio do estreito de Hormuz, por onde passam 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo, lançou a economia global em turbulência. O choque de oferta, considerado sem precedentes, está se transformando em uma crise energética que fez os preços do petróleo e produtos derivados dispararem.
"Trump manteve o tom duro contra Teerã, o que elevou a percepção de risco geopolítico e segue sustentando o petróleo", diz Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil. Nesta terça, o preço do petróleo sobe a US$ 110 com as tensões em foco.
Em paralelo, a temperatura do conflito tem aumentado. Israel e a teocracia atacaram nesta terça-feira (7) usinas petroquímicas, linhas férreas e a estratégica ilha de Kharg foram alvejadas.
Israel bombardeou nesta manhã de terça a segunda petroquímica iraniana em dois dias. O alvo foi, após a ação contra uma unidade próxima do campo de gás de Pars Sul, uma usina que segundo Tel Aviv produzia insumos para explosivos em Shiraz.
Foram também registradas explosões em Kharg, que Trump já disse que pode tomar para si em uma ação com fuzileiros navais e paraquedistas.
O Irã retaliou contra o complexo petroquímico de Jubail, no leste da Arábia Saudita. O local foi atacado com sete mísseis e vários drones, segundo informações iniciais, mas o governo de Riad ainda não confirmou se houve danos.
Nesta terça, a Guarda Revolucionária iraniana também afirmou que "o comedimento acabou" e que está pronta para interromper o fluxo de petróleo e gás pelo golfo Pérsico "por anos".
Na véspera, Trump já havia dito que o Irã poderia ser destruído em uma noite. Questionado se não considerava que estava cometendo crimes de guerra ao ameaçar atingir a infraestrutura civil, incluindo pontes e usinas energéticas. "Não, porque eles são animais", disse o presidente sobre os iranianos.
Do lado de Teerã, não há sinais de recuo. Uma autoridade do país afirmou que o Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo temporário intermediada por terceiros. O regime pede uma solução definitiva para os conflitos na região.
Teerã tem afirmado que a guerra continuará até quando for preciso e ofereceu aos Estados Unidos dez pontos para negociar, incluindo um acordo para o uso do estratégico estreito de Hormuz, o fim das sanções econômicas ao país e provisões para a reconstrução do país.
O conflito tem pressionado a inflação global. O crescimento econômico antes previsto foi colocado em dúvida, bem como os próximos passos de alguns dos principais bancos centrais do mundo.
Tanto o Federal Reserve, dos Estados Unidos, quanto o BC (Banco Central) brasileiro citaram a guerra nas decisões do mês passado, diante do risco de pressão inflacionária global.
Na última segunda (6), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, defendeu o que chamou de cautela da instituição na condução da política de juros no Brasil. Ele também afirmou que a sociedade não aceita mais inflação.
"A ideia é poder tomar tempo para conhecer melhor o problema e fazer movimentos mais seguros, dar passos mais seguros, na direção da política monetária. É dessa cautela que a gente vem se beneficiando mais recentemente", afirmou.
Para Otávio Araújo, o cenário de maior cautela do Fed tende a pressionar a Bolsa brasileira e de outros países emergentes. "Um dólar globalmente mais forte costuma pesar sobre o fluxo para países emergentes. Por outro lado, um alívio nas tensões tende a favorecer ativos de risco e dar suporte adicional a commodities e empresas ligadas a petróleo e exportação", afirma
Na visão da XP, um conflito prolongado e preços de petróleo altos por mais tempo são os principais pontos de atenção do conflito, à medida que as expectativas de inflação local sobem acima da meta de 3% do BC.
No Boletim Focus divulgado na segunda-feira, analistas ajustaram para cima as expectativas para a inflação em 2026 pela quarta semana consecutiva. As projeções para a alta do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) agora são de 4,36% este ano e de 3,85% no próximo, ante 4,31% e 3,84%, respectivamente, na semana anterior.
Ainda assim, a XP vê o Brasil bem posicionado para enfrentar as turbulências da guerra, "dada a alta exposição ao petróleo e o potencial de seguir atraindo fortes fluxos estrangeiros, especialmente quando as tensões arrefecerem".
Fonte: Jornal do Comércio