
O empresário e ex-vereador de Porto Alegre Gilvani Dall Oglio, conhecido como Gringo, foi preso preventivamente pela Polícia Civil na manhã desta sexta-feira (17). O mandado foi cumprido na residência dele, na zona norte da Capital. Batizada de Effluxus, a operação investiga um suposto esquema de ocultação de controle empresarial para fraudar licitações. As contratações sob suspeita envolvem serviços de desobstrução de redes pluviais e de esgoto, hidrojateamento, transporte e descarte de resíduos.
Além da prisão preventiva, sem prazo pré-definido para se encerrar, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, sendo quatro deles contra familiares de Gringo: três filhas e um irmão, todos suspeitos de integrar o esquema. Outros dois filhos de Gringo são investigados. Com ordem judicial, foram bloqueados cerca de R$ 2,5 milhões em ativos financeiros e indisponibilizados imóveis e veículos. Os investigados tiveram suspenso o direito de contratar com o poder público.
Um filho do empresário foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo. Será oferecida a ele a possibilidade de ser liberado mediante fiança. Ele estava na sede de uma das empresas em que foram cumpridos mandados.
No cumprimento de mandado de busca e apreensão contra uma filha de Gringo, o companheiro da mulher arremessou um telefone celular pela janela, mas o aparelho foi recuperado pelos policiais.
A operação apura fraude à licitação, associação criminosa, corrupção ativa de testemunha, falsidade ideológica e material.
— Esquemas dessa natureza geram graves distorções no mercado e impactam diretamente os trabalhadores, que não receberão integralmente seus direitos — avaliou o delegado Cassiano Cabral, diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Dercap).
A Polícia Civil apontou que Gringo teve contrato com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), em Porto Alegre, durante o exercício de mandato parlamentar por meio da Safety, que seria propriedade dele. A contratação, de R$ 3,6 milhões, visava o transporte e a distribuição de água potável. Além disso, na condição de parlamentar, ele recebeu pagamento do Dmae por serviço prestado pela MJM, da qual é proprietário. As condutas ferem a Lei Orgânica de Porto Alegre e foram apontadas como indício de comportamento delitivo reiterado. Essa foi a base do pedido de prisão: cessar a reincidência e preservar a investigação.
A operação foi autorizada por decisão da 2ª Vara Regional de Garantias de Porto Alegre.
— Foram mais de 10 meses de investigação técnica e consistente, que identificou a atuação de um líder responsável por estruturar e comandar um esquema familiar. As medidas visam impedir a continuidade das fraudes — afirma o delegado Augusto Zenon, da 2ª Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública Municipal.
Eleito em 2024 pelo Republicanos, Gringo teve o mandato de vereador cassado pela Câmara em dezembro de 2025. Um dos motivos foi o contrato com o Dmae. Os vereadores entenderam que Gringo era o controlador da Safety, colocando “laranjas” à frente da empresa.
A reportagem busca contato com a defesa do ex-vereador. O espaço está aberto para manifestação.
Fonte: GZH/Carlos Rollsing