AGRO
17/04/2026 às 19:50 por Ana Carolina Zago


RS deve produzir 800 mil litros de azeite na safra 2025/2026

RS deve produzir 800 mil litros de azeite na safra 2025/2026
Nestor Tipa Júnior/Agrofective/Divulgação/JC

A produção brasileira de azeite de oliva deve superar 1 milhão de litros na safra 2026, com cerca de 80% do volume concentrado no Rio Grande do Sul, onde a colheita deve ultrapassar 800 mil litros. A estimativa foi confirmada nesta sexta-feira (17), durante a 14ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva, realizada em uma área da Azeite Milonga, em Triunfo.

O desempenho é atribuído à combinação de condições climáticas favoráveis e ao avanço técnico da atividade. Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho, o ciclo reuniu fatores determinantes para o resultado.

“Tivemos uma conjunção aqui no Rio Grande do Sul e no Brasil de fatores climáticos que deram como resultado o que estamos colhendo hoje. Tivemos o maior número de horas de frio dos últimos 20 anos no inverno, uma primavera pouco chuvosa e, agora, um verão equilibrado e sem chuva, dando condições para colher”, afirmou.

Apesar do cenário positivo, a produção nacional ainda representa entre 1% e 1,5% do consumo interno, em um mercado fortemente ocupado por produtos importados. “Aquilo que é dado de graça nas mesas dos restaurantes pode ser qualquer coisa menos azeite extravirgem de oliva”, disse Obino Filho.

O dirigente também destacou a necessidade de ampliar a produtividade dos olivais. “Não adianta a gente ter o melhor azeite do mundo se não tem azeitona no pé. Vamos para dentro da porteira e apostar em pesquisa, em estudo, entender onde estamos acertando e onde estamos errando”, afirmou.

Sede do evento, a Azeite Milonga projeta uma safra recorde própria em 2026, impulsionada pela entrada em plena produção dos olivais. A propriedade conta com cerca de 50 hectares plantados, iniciados em 2017, e deve colher aproximadamente 150 toneladas de azeitona, o equivalente a cerca de 20 mil litros de azeite.

“Essa é a primeira safra onde a gente está colhendo nos 50 hectares em produção. E, de fato, é uma colheita recorde para nós”, afirmou o sócio proprietário e mestre de lagar, Christian Vogt.

A produção é baseada principalmente nas variedades Arbequina e Koroneiki, além de cultivares como Coratina, Picual e Frantoio, utilizadas tanto em blends quanto em rótulos monovarietais.

No mercado, a estratégia da empresa tem sido centrada na educação do consumidor para diferenciar o azeite nacional de alta qualidade dos produtos mais baratos importados. Segundo Vogt, ainda há desconhecimento sobre a produção brasileira.

“Notamos que as pessoas normalmente mal sabem que existe azeite no Brasil. E quando provam, entendem que é um produto diferente”, afirmou.

Ele destacou que o frescor é uma das principais vantagens competitivas do produto nacional. “A gente consegue botar o azeite mais fresco dentro do mercado do Brasil. Isso é uma vantagem muito grande em relação ao produto importado”, disse.

De acordo com o empresário, o modelo tem se mostrado eficaz. A comercialização da Milonga ocorre majoritariamente por canais digitais próprios, além de empórios e redes especializadas, com presença em outros estados, especialmente no Sudeste. Nesse formato, a empresa conseguiu vender todas as últimas safras dentro do ano de produção.

Durante o evento, foi assinado um protocolo de intenções para a criação do Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura do Rio Grande do Sul, em parceria entre o Ibraoliva e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A iniciativa busca aproximar a pesquisa científica da realidade do campo, com foco na adaptação da cultura às condições locais e no avanço das práticas produtivas. Para os produtores, o objetivo é reduzir a variabilidade entre safras e ampliar a eficiência dos olivais.

“A ideia é trazer a universidade mais próxima do produtor para entender melhores práticas e adaptar a cultura ao nosso microclima”, afirmou Vogt.

A criação do centro se insere em um movimento mais amplo do setor para fortalecer a pesquisa aplicada e dar maior previsibilidade à produção, diante das oscilações climáticas observadas nos últimos ciclos.

Governador destaca impacto econômico e social da atividade

O governador Eduardo Leite destacou a importância da olivicultura para a diversificação da matriz produtiva e o desenvolvimento regional. “O avanço da atividade demonstra o potencial do Rio Grande do Sul para se consolidar como referência nacional na produção de azeites de alta qualidade”, afirmou.

Ele também ressaltou os efeitos sociais da cadeia produtiva, especialmente na Metade Sul. “Temos geração de emprego e renda. O fortalecimento da olivicultura contribui diretamente para a fixação das famílias no campo e para o desenvolvimento sustentável”, concluiu.

Após os pronunciamentos, os participantes acompanharam o ato simbólico de colheita. A programação incluiu ainda exposição, degustação e comercialização de azeites, além de palestras técnicas voltadas ao setor.

Fonte: Jornal do Comércio 


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