
Em visita a Santo Ângelo nesta quarta-feira, 22, o deputado federal Pompeu de Matos (PDT-RS) detalhou sua visão sobre o cenário político e a pauta trabalhista em debate no Congresso Nacional. Em entrevista ao programa Aldeia Global, da Rádio Sepé, o parlamentar, que cumpre seu sexto mandato em Brasília, destacou a destinação de emendas para o município e defendeu o diálogo como antídoto à polarização política.
Emendas e retorno à comunidade
Pompeu de Matos enfatizou que sua atuação parlamentar busca retribuir o apoio histórico que recebe da capital missioneira. Segundo o deputado, anualmente são destinados entre R$ 600 mil e R$ 800 mil em emendas para Santo Ângelo, contemplando áreas como saúde, o hospital local e a APAE, além de obras de infraestrutura — como o asfalto já entregue no bairro Pippi. "É a maneira que eu tenho de devolver para Santo Ângelo um pouco do muito que Santo Ângelo já me deu", afirmou. O parlamentar também mencionou apoio a causas como o autismo e a equoterapia, em parceria com vereadores locais.
PDT e PT: "herdeiros do mesmo campo"
Ao comentar o cenário eleitoral para o governo do estado, Pompeu contextualizou a aliança entre PDT e PT. Para ele, apesar das divergências pontuais, ambos os partidos são "filhos de uma mesma família", herdeiros do trabalhismo de Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola.
A chapa trabalhista para disputar o Palácio Piratini em 2026 reúne Juliana Brizola (PDT) como cabeça de chapa e o ex-deputado estadual Edegar Pretto (PT) como vice — composição que resultou de uma intervenção inédita da cúpula nacional do PT, sob orientação direta do presidente Lula, que considerou a aliança com o PDT "fundamental na consolidação do campo democrático brasileiro".
Pompeu defendeu que a união visa somar forças para que o trabalhismo retorne ao Piratini com um projeto de equilíbrio. "O PDT volta a governar, não vai governar sozinho, com menos briga, menos radicalismo dessa coisa exagerada da extrema direita e da extrema esquerda", pontuou.
O debate sobre a escala 6x1
Um dos temas centrais da entrevista foi a proposta de fim da escala de trabalho 6x1 — modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e descansa apenas um. O tema está entre os mais quentes no Congresso Nacional neste momento.
Quatro textos tramitam simultaneamente na Câmara dos Deputados, com ritmos e abordagens distintos. O governo federal enviou ao Congresso, com urgência constitucional, um projeto de lei que fixa a jornada máxima em 40 horas semanais, garante dois dias de repouso por semana e proíbe qualquer redução salarial.
Pompeu de Matos defendeu a busca por um ponto de equilíbrio que dê "fôlego para o trabalhador", mas que também respeite o empreendedor. Ele traçou um paralelo com outras conquistas trabalhistas que enfrentaram resistência inicial, como o 13º salário, as férias e a licença-maternidade. "Diziam que as empresas iam quebrar e não aconteceu nada. Hoje, as empresas celebram quando sai o 13º porque mexe com o mercado", recordou.
Luta versus briga
Criticando a atual radicalização política — que comparou a rios em tempo de cheia transbordando para as margens —, Pompeu defendeu o retorno ao debate de conteúdo e ao respeito ao pensamento divergente. Para ele, há uma diferença essencial entre "briga" e "luta": briga é ofensa e agressão com intenção de machucar; luta é a defesa de ideias com argumentos, ouvindo quem pensa diferente.
"O problema hoje é que as pessoas não olham os projetos, olham as pessoas. Eu examino projeto por projeto. Sou um deputado de projeto", afirmou, mencionando ter mais de 50 leis aprovadas de sua iniciativa.
Com onze mandatos conquistados em doze disputas eleitorais — incluindo passagens como vereador, prefeito e deputado estadual —, Pompeu de Matos manifestou o desejo de continuar representando o Rio Grande do Sul. Com o lema "enquanto tem bambu, tem flecha", ele assegurou que seguirá trabalhando pela região. "Quem gosta do que faz não cansa do que está fazendo", concluiu o deputado.
Redação Grupo Sepé