GERAL
23/04/2026 às 10:33 por Matheus Teixeira


“Disseram que a vaga era minha”: saiba como se proteger de golpe que visa pessoas buscando emprego

“Disseram que a vaga era minha”: saiba como se proteger de golpe que visa pessoas buscando emprego
Fonte: Divulgação

A busca por emprego tem sido utilizada para aplicar golpes na internet. Vagas falsas são anunciadas para captar dados das vítimas e exigir pagamentos de taxas que garantiriam postos inexistentes.

Entre as táticas dos estelionatários está a oferta de salários altos, benefícios atrativos e garantia de contratação. Segundo o diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) da Polícia Civil, delegado Eibert Moreira, quadrilhas criam páginas falsas e impulsionam anúncios nos buscadores da internet.

Assim, a pessoa que busca vagas de emprego acaba recebendo conteúdos fraudulentos do gênero. Ao receber a candidatura, a quadrilha entra em contato com o trabalhador.

— Eles exigem taxas que os candidatos precisam pagar para concorrer àquele emprego ou “criam” cursos que, em tese, habilitariam a vítima a concorrer à vaga. A pessoa paga valores achando que vai se habilitar para o emprego, quando, na verdade, está dando o dinheiro para golpistas — resume Moreira.

Segundo o delegado, a Operação Spectrum Pag, realizada no dia 14 de abril, mirou uma organização criminosa responsável por anúncios falsos na internet. Entre as campanhas realizadas pelo grupo estão as de falsas vagas de trabalho.

Olha o golpe! Site especial te ajuda a não cair em armadilhas.

Outras características do golpe incluem o oferecimento de vagas às quais a pessoa não se candidatou e o roubo de dados, com pedido de informações sensíveis mesmo sem entrevistas, análise de currículo ou critérios claros de seleção.

Uma moradora de Canoas, na Região Metropolitana, foi uma das vítimas do golpe. Em setembro de 2025, a mulher, que pediu para não ser identificada, buscava um novo emprego na internet.

No dia 5 daquele mês, ela cadastrou o currículo em sites especializados e recebeu um contato, via WhatsApp. Era um homem que dizia ser do setor de recursos humanos de um hospital público de Porto Alegre.

— Fiquei animada porque buscava um lugar que pagasse melhor, e esse emprego era exatamente o que eu queria. Disseram que a vaga era minha — relatou a mulher, de 52 anos.

O golpe aconteceu quando o estelionatário exigiu dois cursos da área que deveriam ser apresentados no novo posto de trabalho, no dia seguinte. Como a profissional não tinha a qualificação, foi oferecida uma saída: pagar R$ 350 para realizar cada formação, dias depois, no próprio centro de saúde.

Por isso, ela enviou R$ 700 via Pix para a conta de uma mulher que seria a esposa do dono da empresa responsável pelo curso.

— Contei para uma pessoa amiga no hospital (sobre a suposta vaga) e ela me disse que eu tinha caído no golpe do emprego. Fiquei desesperada. Peguei dinheiro do meu salário e da minha mãe para pagar os cursos dos quais nunca participei. Agora não sei no que posso confiar na internet — acrescentou.

A vítima registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil de Canoas, mas não conseguiu recuperar o valor.

A diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RS), Laira Seus, afirma que as táticas comuns aplicadas nos golpes do falso emprego são contrárias às boas práticas no recrutamento de profissionais.

— Quando as empresas são sérias, o candidato nunca vai pagar por uma seleção. Todo o custo desse recrutamento é responsabilidade da empresa que está contratando essa consultoria para fazer a vaga. Cursos, treinamentos e certificações podem até ser desejáveis ou exigidos para as vagas, mas a consultoria não vai exigir que o candidato faça aqueles treinamentos, ainda mais se for cobrado por ela — diz a especialista, também proprietária da consultoria RH de Aluguel.

Além disso, processos seletivos não garantem vagas: após a candidatura, ocorrem outras etapas, com avaliações técnicas e comportamentais de quem busca o posto de trabalho.

— Empresas organizadas trabalham com cronograma, comunicação, tempo adequado para que o candidato participe de cada etapa com segurança. A criação de um senso de urgência, especialmente envolvendo esse pagamento ou envio de dados sensíveis, é uma estratégia típica de golpe — destaca Laira.

Como se proteger

Busque informações da empresa

Verifique o site e pesquise a reputação da marca em páginas como o Reclame Aqui. Veja os canais oficiais de contato que estão disponíveis no site, no LinkedIn ou nas plataformas de recrutamento. Desconfie de empresas que solicitam informações confidenciais, sem clareza sobre o cargo, salário e benefícios.

Desconfie das vagas com narrativa de urgência

A ideia é colocar o candidato em uma situação de urgência para “garantir” a vaga. Empresas sérias possuem um processo seletivo com etapas antes da contratação. Por isso, desconfie de ofertas que exijam o envio apressado de documentos e dados pessoais ou exigência de dinheiro. Também não acredite em propostas que garantam a vaga.

Fuja das promessas exageradas

Desconfie de postos de trabalho com inúmeras vantagens, benefícios atípicos no mercado e salários exorbitantes. Essas são algumas das principais iscas para chegar às vítimas. Se receber comunicação sobre uma vaga para a qual não se candidatou, desconfie e não clique no link nem baixe arquivos anexados.

Não faça pagamentos

Processos de seleção e recrutamento não fazem cobranças nem solicitam cursos preparatórios. Exames e testes admissionais só são pedidos no processo de contratação. A empresa é que paga por eles.

Fonte: GZH, Serasa, ReclameAqui e Indeed


Compartilhe essa notícia: