
O cenário político para as eleições de 2026 no Rio Grande do Sul ganhou uma nova e robusta configuração. Em um movimento articulado nacionalmente, o PT e o PDT confirmaram uma chapa de unidade para o governo do Estado: Juliana Brizola concorrerá ao Palácio Piratini tendo Edegar Pretto como candidato a vice-governador.
A decisão foi tomada após a direção nacional do PT determinar que o diretório estadual apoiasse a candidatura de Juliana ao Piratini. A decisão, descrita por Pretto como um passo em direção a um "projeto coletivo", visa não apenas a disputa estadual, mas também o fortalecimento do palanque para a reeleição do presidente Lula em solo gaúcho.
Críticas à Gestão Estadual e Foco no Social
Durante a entrevista, o pré-candidato a vice-governador elevou o tom contra a gestão de Eduardo Leite e Gabriel Souza. Para Pretto, o estado "está devendo muito", especialmente nas áreas de saúde e educação.
Entre os pontos críticos levantados, destacam-se a ausência de investimento do mínimo constitucional de 12% pelo Estado na saúde, sobrecarregando os municípios; a precariedade das estruturas escolares — com 73% das escolas estaduais sem ar-condicionado — e o déficit orçamentário projetado, aliado à perda de protagonismo do PIB gaúcho frente a Santa Catarina e ao Paraná.
Pretto defendeu uma gestão mais próxima do cotidiano da população. "Nós exportamos talento e importamos desesperança", afirmou ao comentar a saída de jovens qualificados do estado por falta de oportunidade.
Propostas para o Setor Produtivo e a Dívida com a União
Questionado sobre a viabilidade financeira do estado, Pretto destacou a importância das negociações feitas pelo governo federal, por meio do ministro Fernando Haddad, que devem aliviar o pagamento da dívida com a União até 2030. No campo produtivo, defendeu uma parceria direta com quem investe no Rio Grande do Sul. "O Estado não pode atuar como adversário de quem produz", pontuou. Pretto sugeriu ainda a adoção de novos protocolos de manejo agrícola desenvolvidos pela Embrapa para tornar as safras mais resilientes às mudanças climáticas e aumentar a produtividade em até 40%.
Cenário Nacional e o "Fator Lula"
A nacionalização da campanha é assumida como tática central. Pretto ressaltou os avanços do governo federal — como o controle da inflação e o aumento real do salário mínimo — como argumentos a serem levados ao palanque gaúcho.
Segundo o deputado estadual Leonel Radde (PT), a decisão resultou de uma articulação nacional voltada a garantir um palanque único para a reeleição de Lula. "O Lula não terá dois palanques em cada estado, ele terá um palanque unificado", afirmou Radde. Brasil 247
Do lado oposto, Brizola e Pretto enfrentarão a chapa formada pelo deputado federal Luciano Zucco (PL) e pela deputada estadual Silvana Covatti (PP). O atual governador Eduardo Leite (PSD) apoiará a pré-candidatura do vice-governador Gabriel Souza.
Redação Grupo Sepé