SAÚDE
30/04/2026 às 20:00 por Ana Carolina Zago


Falta de acesso a itens básicos amplia a pobreza menstrual entre meninas no Brasil

Falta de acesso a itens básicos amplia a pobreza menstrual entre meninas no Brasil
Foto: Reprodução/Internet

Vivemos em um país onde a pobreza menstrual ainda é a realidade de milhares de meninas e mulheres. Segundo a UNICEF, muitas não têm acesso a itens básicos, como absorventes, chuveiros e sabonetes. Os números chamam atenção, cerca de 900 mil meninas não têm acesso à água canalizada em casa e 6,5 milhões vivem em locais sem saneamento básico.

A desigualdade atinge principalmente mulheres de baixa renda e evidencia também o recorte racial. De acordo com a UNICEF, meninas negras enfrentam maior vulnerabilidade na pobreza menstrual, têm quase três vezes mais chance de não ter acesso a banheiros e são maioria entre as que vivem sem esgotamento sanitário.

Além disso, a falta de higiene adequada pode trazer consequências para a saúde dessas meninas ao longo do tempo.

Em entrevista, a médica de família e comunidade e professora da UFSM, Juliana Da Rosa Wendt, explica que as mais afetadas pela pobreza menstrual são meninas que se autodeclaram pretas ou pardas e que vivem nas regiões Norte e Nordeste do país, em contextos de baixa renda.

Muitas vezes, a escola representa um apoio e uma esperança. No entanto, grande parte das meninas de classes mais baixas estuda em escolas públicas que também enfrentam dificuldades, como a falta de papel higiênico, sabonete e absorventes.

Segundo a médica, a pobreza menstrual pode trazer riscos de infecções ginecológicas, como cistite e candidíase, além de aumentar o risco de outros danos à saúde, como alergias, irritações e a síndrome do choque tóxico. Isso acontece pelo tempo prolongado de uso dos absorventes, pela reutilização ou pela necessidade de improvisar com materiais como panos, algodão ou até pedaços de pão para conter a menstruação.

A pobreza menstrual também afeta a autoestima. Juliana explica que “do ponto de vista da saúde emocional, pode causar desconfortos, insegurança e estresse, colocando em xeque o bem-estar, o desenvolvimento e as oportunidades, já que elas temem vazamentos, dormem mal, perdem atividades de lazer, deixam de praticar atividades físicas e sofrem com a diminuição da concentração e da produtividade. Ainda, a pobreza menstrual é uma importante causa do aumento do absenteísmo e da evasão escolar.”

O SUS (Sistema Único de Saúde) oferece apoio por meio do Programa Dignidade Menstrual, que garante absorventes gratuitos para mulheres de 10 a 49 anos. Para ter acesso, é necessário estar inscrita no CadÚnico, com renda familiar de até meio salário mínimo, ser estudante de escola pública de baixa renda ou estar em situação de rua. A retirada pode ser feita em farmácias credenciadas ao programa Farmácia Popular, com a distribuição de 40 unidades a cada dois ciclos, conforme explicou a médica.

Brasil ainda enfrenta desafios para garantir dignidade menstrual

O país ainda tem muito a avançar no enfrentamento da pobreza menstrual. Segundo Juliana, é fundamental garantir que todas as meninas tenham acesso a banheiros adequados, limpos e seguros em casa e na escola, além de ampliar o saneamento básico e a coleta de lixo, principalmente em áreas periféricas e rurais. Também é necessário ampliar o acesso a produtos de higiene menstrual e capacitar profissionais de saúde e educadores para atuar de forma precoce, reduzindo os impactos do problema. Por fim, investir em educação sobre saúde menstrual é indispensável.

Fonte: Ana Carolina Zago/Redação Grupo Sepé 


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