
O Irã disparou dois mísseis nesta segunda-feira (4) contra um navio de guerra da Marinha dos Estados Unidos que se aproximava do Estreito de Ormuz, que está praticamente bloqueado à navegação desde o início da guerra em 28 de fevereiro, informou a agência de notícias iraniana Fars. Os Estados Unidos negam a informação.
"A fragata, que navegava no Estreito de Ormuz na segunda-feira, violando as normas de navegação e segurança marítima perto do porto de Yask, foi alvo de um ataque com mísseis após ignorar um aviso da Marinha iraniana", escreveu a Fars, sem citar fontes, em uma reportagem que ainda não foi confirmada oficialmente.
Os Estados Unidos, por sua vez, usaram as redes sociais para negar a alegação dos iranianos. O Comando Central dos EUA, em publicação no X, afirmou que "nenhum navio da Marinha dos EUA foi atingido".
"As forças americanas estão apoiando o Projeto Liberdade e reforçando o bloqueio naval aos portos iranianos", diz ainda a postagem.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (3) o que chamou de "Projeto Liberdade". Segundo ele, os Estados Unidos guiariam, a partir desta segunda, "com segurança" os navios de outros países bloqueados no estreito, por onde passava, antes da guerra, um quinto do petróleo mundial.
O comando militar do Irã havia advertido que atacaria as tropas americanas se a operação fosse levada adiante.
"Alertamos que qualquer força armada estrangeira — especialmente as agressivas forças militares americanas — será alvo de ataques se tentar se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz", declarou o general Ali Abdollahi, do comando central do Exército iraniano.
O Irã fechou quase por completo a passagem pelo Estreito de Ormuz, crucial para o tráfego mundial de combustíveis, desde que Estados Unidos e Israel começaram ataques contra o país em 28 de fevereiro. Em represália, Washington mantém um bloqueio naval aos portos iranianos.
Um navio de carga informou nesta segunda-feira ter sido atacado por várias embarcações pequenas perto do Estreito de Ormuz, enquanto outro cargueiro relatou ter sido atingido por "projéteis desconhecidos" na região. Não há relatos de feridos.
Seriam os primeiros ataques registrados desde o dia 22 na passagem marítima que está bloqueada pelo Irã.
O regime iraniano negou os ataques, por meio de veículos de imprensa semioficiais, e afirmou que uma embarcação em trânsito foi parada para verificação de documentos.
A situação entre Teerã e Washington permanece estagnada desde a entrada em vigor da trégua de 8 de abril. O Paquistão recebeu um ciclo de negociações em 11 de abril, que terminou sem acordo.
O Irã pediu nesta segunda-feira aos Estados Unidos que "adotem uma abordagem razoável" e abandonem as "exigências excessivas", após receber resposta de Washington a sua nova proposta no âmbito das negociações de paz entre os dois países.
— Nesta etapa, nossa prioridade é acabar com a guerra — afirmou em uma entrevista coletiva o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai.
— Não podemos ignorar as lições do passado. Já negociamos em duas ocasiões sobre os aspectos nucleares e, ao mesmo tempo, fomos atacados pelos Estados Unidos — acrescentou o porta-voz em uma entrevista exibida pela televisão estatal.
Teerã transmitiu esta semana uma nova proposta de paz a Washington. Segundo a agência oficial Tasnim, a proposta de 14 pontos prevê o fim do conflito em todas as frentes e estabelece condições para a reabertura do Estreito de Ormuz.
Trump disse no domingo que funcionários de seu governo estão mantendo "conversas muito positivas" com o Irã e que as negociações "podem conduzir a algo muito positivo para todos".
As consequências do conflito seguem afetando a economia mundial. A cotação do petróleo atingiu na última semana o maior valor em quatro anos, quando o barril de Brent chegou a ser negociado a US$ 126. Nesta segunda-feira, o preço era de US$ 112.
Trinta e nove quilômetros de largura. Essa é a medida que o mundo observa com apreensão. Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico é considerado o corredor comercial marítimo mais importante do mundo para navios petroleiros.
Todos os dias passam pelo estreito, em média, 20 milhões de barris de petróleo e derivados – aproximadamente 20% do consumo mundial. Além disso, 20% do transporte marítimo mundial e uma grande quantidade de gás natural liquefeito circulam pela hidrovia.
O ponto mais estreito da passagem se situa entre o Irã, ao norte, e Omã, ao sul. Considerando-se as águas territoriais dos dois países, a área navegável fica reduzida a apenas três quilômetros de largura.
Fonte: GZH