GERAL
06/05/2026 às 20:00 por Ana Carolina Zago


Pós-pandemia ainda impacta saúde mental e aumenta sofrimento emocional

Pós-pandemia ainda impacta saúde mental e aumenta sofrimento emocional
Foto: Shutterstock

A humanidade viveu um período crítico em 2020 por conta da COVID-19. A vida parou em questão de dias, sem poder ter contato com outras pessoas, com o uso de máscara, a higienização das compras, entre outros cuidados para que o vírus não se propagasse.

Com o isolamento social, algumas pessoas passavam meses sozinhas e outras conviviam apenas com quem morava em sua residência. Os impactos na saúde mental começaram a vir à tona. Pessoas acostumadas ao convívio social tiveram que se adaptar. Além do momento delicado de ligar a televisão e ver diversas mortes por conta do COVID-19, havia a angústia de não saber quando aquilo acabaria.

Já se passaram seis anos da pandemia e, mesmo assim, a saúde mental sofre consequências desses dias. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que, no primeiro ano da pandemia, os casos de ansiedade e depressão aumentaram cerca de 25% no mundo, evidenciando o impacto duradouro desse período.

Em entrevista, a psicóloga clínica Lara Lopes explicou os efeitos do pós-pandemia, existiu um excesso de telas, tornando as atividades do dia complicadas de serem realizadas, como o trabalho e a vida acadêmica, e o contato social foi cortado. Também há o fato do luto, que vai além de perder pessoas, mas envolve a perda da vida como era antes, da rotina, de projetos de vida e da estabilidade. Os sintomas são visíveis, de modo que a pessoa fica desanimada, com esgotamento, ansiedade e insegurança. Eles se apresentam na vida social, quando se evitam situações presenciais, no rendimento no trabalho, que decai, ou na sensação constante de cansaço e tensão.

O uso excessivo de telas durante a pandemia pode ter deixado consequências na saúde mental. A psicóloga conta como os celulares, computadores e outras mídias digitais passaram a ocupar um papel central na rotina.

“Desse modo, esse cenário pode contribuir para dificuldades de concentração e para uma diminuição da qualidade das relações sociais. Além do tempo de uso, esses dispositivos capturam a atenção e, ao mesmo tempo, empobrecem certas experiências de presença e troca com o outro. A exposição constante e a lógica de estímulos rápidos também tendem a aumentar a dispersão e a dificuldade de sustentar o interesse, impactando diretamente a forma como o sujeito se relaciona consigo e com os outros…”, afirmou a psicóloga.

A angústia se tornou algo recorrente na vida das pessoas durante o COVID-19, assim como o sofrimento emocional diante de tantas incertezas. Lara explica que a pandemia não pode ser resumida apenas por ansiedade e depressão. Existia o sentimento de insegurança e desamparo, experiências mais complexas do que apenas um diagnóstico e defende que é importante ir além de uma análise, é preciso refletir sobre o sofrimento vivido.

Lara Lopes orienta sobre cuidados de como lidar com a saúde mental e ressalta que cada pessoa tem uma realidade e precisa avaliar se faz sentido. Ir ao cinema, escutar música, ter contato com a arte e ler trazem satisfação para o indivíduo. São maneiras de se conectar com algo mais pessoal e único, além das demandas do mundo. Indica a psicoterapia para que a pessoa possa se escutar.

Se você precisar de apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente pelo número 188.

Fonte: Ana Carolina Zago/Redação do Grupo Sepé 


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