
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) suspendeu preventivamente um estudante do primeiro semestre de direito suspeito de envolvimento na criação de uma lista que classificava alunas como “estupráveis”. A medida cautelar foi determinada pela Direção da Faculdade de Direito na quarta-feira (6/5), após à repercussão de mensagens misóginas atribuídas a estudantes da instituição. O nome do aluno não foi divulgado.
Segundo a universidade, o afastamento tem caráter preventivo, válido até a conclusão do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado para apurar o caso.
De acordo com a universidade, a decisão foi tomada diante da gravidade das mensagens, que continham ameaças de violência sexual e referências à intenção de abusar de colegas do curso.
“A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) repudia veementemente qualquer manifestação, prática ou tentativa de naturalização da violência, da misoginia e de qualquer forma de violação de direitos humanos no âmbito de sua comunidade acadêmica. A Instituição reafirma seu compromisso inegociável com a promoção de um ambiente seguro, ético, inclusivo e respeitoso para todas as pessoas, especialmente no enfrentamento à violência de gênero”, informou a UFMT em nota.
Ainda segundo a universidade, a suspensão tem como objetivo preservar a segurança da comunidade acadêmica e garantir a regularidade do ambiente institucional durante a investigação.
A decisão também prevê medidas protetivas às possíveis vítimas e o encaminhamento do caso à Comissão de Processo Disciplinar Estudantil, responsável pela condução da apuração administrativa. A instituição ressaltou que o estudante terá direito ao contraditório e à ampla defesa.
O caso veio à tona após o vazamento de conversas em aplicativos de mensagens, nas quais estudantes discutiam a elaboração de uma lista classificando calouras como “estupráveis”.
A coluna obteve acesso aos prints das conversas e, em um deles, o envolvido diz: “Vou brocar uma na primeira semana”. Em resposta ao comentário feito pelo colega em que diz ter “gótica e roqueira” no curso de engenharia, ele ainda responde: “Na minha tem também. Com piercing na boca. Vou molestar.”
A repercussão provocou indignação entre universitários, que realizaram protestos e espalharam cartazes no campus cobrando punição aos responsáveis.
Fonte: Metrópoles