
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve assinar nesta segunda-feira (11) decretos para ampliar as importações de carne bovina e incentivar a recomposição do rebanho no país. A medida busca conter a alta dos preços da carne, disse um funcionário da Casa Branca à agência Reuters.
O funcionário não detalhou as medidas. O anúncio deverá ocorrer em um momento em que o rebanho bovino dos EUA atingiu o menor nível em 75 anos e os preços da carne continuam em alta.
O jornal norte-americano The Wall Street Journal informou anteriormente que Trump deve suspender por tempo determinado as cotas tarifárias para a carne bovina, permitindo a entrada de um volume maior do produto no país com tarifas reduzidas.
Segundo o jornal, o presidente deve orientar a Administração de Pequenas Empresas, agência do governo voltada ao apoio de pequenos negócios, a ampliar o crédito para pecuaristas.
Além disso, a medida deve reduzir as proteções previstas na Lei de Espécies Ameaçadas para lobos-cinzentos e lobos mexicanos que atacam rebanhos.
Embora os preços de ovos, leite e outros itens básicos de supermercado tenham caído desde que Trump assumiu seu segundo mandato, em janeiro de 2025, a carne bovina continuou ficando mais cara nos EUA.
O item subiu 12,1% em abril na comparação anual, segundo o índice de preços ao consumidor do Departamento do Trabalho dos EUA. Desde que Trump retornou ao cargo, acumula alta de mais de 16%.
Com isso, a carne se tornou um símbolo da inflação persistente para os consumidores americanos às vésperas da temporada de churrascos de verão no país.
As expectativas de aumento das importações de carne bovina do Brasil movimentaram o mercado de gado nos EUA após Trump se reunir com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada.
A avaliação é que uma maior entrada de carne brasileira pode ampliar a oferta nos EUA e ajudar a conter os preços ao consumidor, ao mesmo tempo em que beneficia exportadores brasileiros.
Nesta segunda-feira, os contratos futuros de gado vivo para junho na Bolsa Mercantil de Chicago fecharam em leve alta, enquanto os contratos para agosto caíram 0,5%.
Em outubro de 2025, Trump já havia ampliado em quatro vezes as importações de carne bovina da Argentina e, um mês depois, retirado a tarifa extra de 40% sobre a carne bovina e o café do Brasil.
O tarifaço imposto por Donald Trump em abril de 2025 elevou a preocupação em relação à alta dos preços nos EUA. Com o aumento dos custos para importar produtos — somado às tensões no Oriente Médio —, os americanos passaram a pagar mais caro por itens do dia a dia, como a carne.
A base legal usada para aplicar as tarifas também passou a ser questionada. Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o tarifaço, que previa taxas de até 50%. Em resposta, Trump anunciou novas tarifas globais de 10%, desta vez com base em outro instrumento legal.
Com a medida, o republicano divulgou uma extensa lista de exceções, incluindo a carne bovina, um dos principais produtos exportados pelo Brasil aos EUA. No caso da carne, a tarifa zero passou a valer para cortes frescos, refrigerados ou congelados, desde carcaças até cortes considerados nobres.
O cenário interno dos EUA ajuda a explicar as novas medidas. O rebanho bovino do país caiu ao menor nível em 75 anos após uma seca prolongada elevar os custos dos pecuaristas e reduzir as áreas de pastagem.
O fornecimento ficou ainda mais restrito porque os EUA suspenderam, há um ano, a maioria das importações de gado mexicano, diante de preocupações com a disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que infesta o gado.
Apesar de também serem grandes produtores, os EUA ainda precisam importar carne para suprir a demanda dos consumidores, que se manteve firme e pressionou os preços.
A baixa oferta obrigou frigoríficos a pagar mais pelo gado destinado à produção de hambúrgueres e bifes e algumas empresas começaram a fechar unidades no país, como a JBS e o Tyson Foods.
Diante disso, o Departamento de Agricultura dos EUA projeta importações recordes de carne bovina em 2026, com alta de cerca de 6% em relação a 2025 e de 25% na comparação com 2024.
Devido os altos preços, Trump solicitou a abertura de uma investigação contra os quatro maiores frigoríficos atuantes no país, a JBS, a National Beef, controlada pela Marfrig, e as norte-americanas Cargill e Tyson Foods.
Na época, o presidente afirmou que o encarecimento aconteceu "por meio de conluio ilícito".
Os decretos que devem ser assinados nesta segunda-feira vêm em meio ao descontentamento dos eleitores americanos a menos de seis meses das eleições de meio de mandato nos EUA.
Pesquisa Washington Post-ABC News-Ipsos divulgada no início deste mês aponta insatisfação ampla com a atuação de Trump na guerra com o Irã e em outras questões-chave, a seis meses das eleições de meio de mandato.
De acordo com a pesquisa, a desaprovação de Trump chegou a 62%, o maior nível já registrado em seus dois mandatos. A aprovação está em 37%, próxima dos 39% observados em fevereiro.
O levantamento mostra que a avaliação do presidente em relação à economia, tema central de sua retomada política em 2024, piorou desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro.
Nesse contexto, a maioria dos americanos desaprova a condução de Trump na crise com o Irã, por 66% contra 33%.
Na economia, a avaliação do republicano caiu sete pontos, para 34%, em meio à alta dos preços da gasolina. Já em relação à inflação, a aprovação recuou cinco pontos no período, para 27%.
Fonte: G1