
Entre a Campanha, a Região Sul e a Fronteira Oeste, estão distribuídos dez campus da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). O movimento para o surgimento da instituição, entretanto, tem uma origem: Bagé, onde estão situadas a reitoria e cursos de licenciatura e engenharia. Agora, novas carreiras devem se somar ao campus: a de Medicina e a de Ciências de Dados e Inteligência Artificial.
O primeiro a estrear deverá ser o da área da tecnologia, cuja estreia deverá acontecer ainda no primeiro semestre de 2027. O curso tem crescido no Rio Grande do Sul: após a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) iniciar a primeira graduação na área, a Universidade de Santa Maria (UFSM) foi pioneira entre as instituições públicas. Agora, é a vez da Unipampa, que prevê um em Alegrete e outro em Bagé.
“É um curso que segue uma tendência de inovação nas universidades, que está sendo criado nas instituições de ensino superior. E é muito importante porque envolve todas as áreas do conhecimento. É um curso que vai ajudar na tomada de decisão de muitas empresas e em muitos projetos da região”, destaca o diretor do campus da Unipampa em Bagé, Pedro Dorneles.
A expansão no setor, conforme o dirigente, está atrelada ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que busca desenvolver o setor em diferentes áreas em todo o País. Ao todo, estão previstos R$ 183,24 milhões do orçamento para serem investidos pelo governo federal até 2028 para a criação de cursos de graduação no setor; disciplinas optativas de programação, ciência de dados e inteligência artificial e ofertas de vagas voltadas ao campo no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Já a Medicina deverá aguardar mais um pouco – envolvendo mais etapas para a sua concretização, é esperado que possa iniciar entre 2027 e 2028. Inicialmente, o Centro Universitário da Região da Campanha (Urcamp) pleiteava o curso no edital de Chamamento Público nº 01/2023, lançado no contexto da retomada do programa Mais Médicos e voltado a instituições de ensino superior privadas. Entretanto, o certame foi revogado em fevereiro de 2026 pelo Ministério da Educação (MEC).
À época, os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) tinham sido divulgados apontando desempenho insatisfatório em aproximadamente 30% dos cursos avaliados no País. Além disso, o ministério argumentou que foram intensificadas as ações judiciais autorizando abertura de cursos fora do edital.
“Já tinha um apoio político para esse curso e preferimos não entrar com a disputa de um segundo curso de Medicina porque a Urcamp estava pleiteando. Mas, como não teria mais essa possibilidade, enquanto universidade federal, pela demanda da região, fizemos uma articulação interna no campus em março e aprovamos no conselho de campus a intenção de criar um curso de medicina”, conta Dorneles, acrescentando que os cursos mais próximos na área são em Pelotas e Santa Maria.
A viabilidade começou a ser articulada junto ao governo federal e a criação do curso foi anunciada pelo ex-ministro da Educação, Camilo Santana, quando ainda estava no cargo. Agora, o projeto político-pedagógico do curso será votado em duas instâncias da universidade: no Conselho Universitário e na Comissão Superior de Ensino. Após o início do processo, serão necessárias aprovações dos ministérios da Educação e da Saúde.
O local que receberá as práticas acadêmicas ainda está em debate. Entretanto, a tendência é de que seja na Santa Casa de Caridade de Bagé. “A universidade tem o interesse de auxiliar para ela se tornar um hospital escola. Isso aumenta o investimento na Santa Casa na parte de repasse de recursos do Ministério da Saúde”, acrescenta Dorneles.
A Unipampa foi instalada em 2008, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento econômico da região em que está inserida, embora desde 2006 já houvesse atividades tuteladas pelas universidades federais de Pelotas (Ufpel) e Santa Maria (UFSM). Nesse sentido, busca formar mão de obra qualificada e reter a juventude em uma área que já está perdendo população.
“Bagé cresceu muito nos últimos vinte anos. E um dos fatores foi pela Unipampa, embora não seja o único. Já temos muitos licenciados trabalhando nas escolas da educação básica, que é um retorno qualificado que damos para a cidade. Temos doze cursos, cinco programas de mestrado e dois de doutorado. Muitos engenheiros formados pela universidade também atuam em empresas e indústrias da região. Temos colegas, inclusive eu, que vieram para Bagé para trabalhar. São mais de 800 servidores técnicos e docentes que estão trabalhando nessas cidades da Campanha, o que melhora a economia, porque é dinheiro que entra no município através da folha de pagamento”, avalia Dorneles.
O campus da Unipampa de Santana do Livramento também espera a chegada de novos cursos de graduação. Conforme o coordenador do curso de Ciências Econômicas da instituição, Altacir Bunde, está sendo discutida a criação de graduações em Turismo, Contabilidade e Gestão Hospitalar e em Saúde.
Unipampa – Alegrete, Bagé, Caçapava do Sul, Dom Pedrito, Itaqui, Jaguarão, Santana do Livramento, São Borja, São Gabriel e Uruguaiana
Urcamp – Alegrete, Bagé, Dom Pedrito, São Gabriel e Santana do Livramento
IFSul – Pelotas, Bagé, Camaquã, Jaguarão e Santana do Livramento
IFRS – Rio Grande
Uergs – Alegrete, Bagé, Santana do Livramento, São Borja e Tapes
Furg – Rio Grande, Santo Antônio da Patrulha, São Lourenço do Sul e Santa Vitória do Palmar
Ufpel – Pelotas e Capão do Leão
Ucpel – Pelotas
Unideau – Bagé
Fonte: O Sul