
O milho deixou de ser apenas uma cultura agrícola estratégica para se consolidar como um dos eixos centrais do desenvolvimento econômico, energético e alimentar do Brasil. Essa foi a tônica do 4º Congresso Abra milho, promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo, na quarta--feira, 13, no Unique Palace, em Brasília.
Com o tema “Milho: o grão que revolucio na o mundo”, o evento reuniu autoridades, lideranças políticas, representantes do setor produtivo, especialistas e cerca de 100 pro fissionais de comunicação de diferentes re giões do país.
O Grupo Sepé foi o único veículo repre sentante do interior do Rio Grande do Sul na cobertura do congresso. Ao longo de três painéis, foram debatidos temas como Plano Safra, crédito rural, segu ro agrícola, armazenagem, inovação, segu rança alimentar, bioenergia e geopolítica. A abertura contou com a presença do vi ce-presidente da República, Geraldo Alckmin, e do ministro da Agricultura, André de Paula.
No primeiro painel, sobre os desafios atuais da agricultura, o diretor executivo da Abramilho, Glauber Silveira, defendeu avan ços no Plano Safra e em instrumentos que garantam mais previsibilidade ao produtor. Alckmin sinalizou abertura para discutir al ternativas de crédito rural, incluindo um fun do garantidor, e defendeu o avanço do etanol de milho. Segundo ele, a elevação da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32% está bem encaminhada.
O presidente da Abramilho, Paulo Bertoli ni, apontou o sorgo como nova fronteira para a produção de etanol, por ser mais tolerante à seca e ter menor custo de produção. Já a senadora Tereza Cristina, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, classi ficou o cenário atual como uma “tempesta de perfeita”, marcada por guerras, queda nas commodities, insumos caros e juros eleva dos.
O segundo painel tratou da inovação e da segurança alimentar, com destaque para a participação do embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. Ele reforçou a parceria entre os dois pa íses e defendeu ciência e tecnologia como bases da agricultura do futuro. A relação com o mercado chinês foi apontada como central para o agro brasileiro. No painel sobre geopolítica, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua, afirmou acreditar que o Brasil poderá ultrapassar os Estados Unidos ainda neste ano e se conso lidar como o maior exportador de produtos agropecuários do mundo.
A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, alertou para o avanço do protecionismo e defendeu pragmatismo nas relações comerciais. A dependência de fertilizantes importa dos também foi apontada como uma vul nerabilidade estratégica. O diretor executivo de Suprimentos da JBS, Arene Trevisan, lem brou que o Brasil importa cerca de 80% dos nitrogenados quwe consome.
O congresso também entregou o Prêmio Abramilho à jornalista Vera Ondei, à senado ra Tereza Cristina e à empresa Inpasa Brasil, maior produtora de etanol de milho da Amé rica Latina. Mais do que um evento setorial, o Con gresso Abramilho mostrou como milho, sor go e bioenergia impactam diretamente o pre ço dos alimentos, o custo dos combustíveis, a geração de empregos, renda e inovação no país.
Redação do Grupo Sepé