GERAL
20/05/2026 às 10:51 por Patrick Siede


Turismo cultural na região das Missões busca impulsionar economia local

Turismo cultural na região das Missões busca impulsionar economia local
Foto: Camila Domingues/Arquivo Palácio Piratini/JC

O marco de quatro séculos das Missões, celebrado neste ano, muda a forma como a região entra na política de turismo do Rio Grande do Sul. A data deixa de ser apenas comemorativa e passa a orientar decisões que envolvem promoção, presença no mercado e aplicação de recursos. Esse movimento se apoia no Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, pois é a partir dele que o Estado passa a trabalhar o território como destino de turismo cultural e amplia a tentativa de levar o produto para fora do País.

"O turismo passa a ser tratado como vetor de desenvolvimento regional. As Missões têm um diferencial que é único no Estado e isso muda a forma como a gente posiciona o destino", afirma o ex-titular da Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul (Setur), Ronaldo Santini.

Hoje, o fluxo varia entre 80 mil e 100 mil visitantes por ano, segundo a Instância de Governança Regional (IGR) Rota Missões, com uma meta projetada de crescer 25%. O resultado esperado não se limita ao aumento de viajantes, mira também em ampliar geração de renda, estimular novos negócios e aumentar a presença do turismo, consolidando-o como atividade econômica estruturante. O crescimento, no entanto, depende de algo que ainda não está resolvido. 

As Missões não aparecem com força entre operadoras e agentes de turismo e sem essa presença, o destino não entra na oferta. "O principal desafio hoje é fazer com que o produto esteja nas prateleiras. Se o destino não está disponível para venda, ele não entra no roteiro do turista", alerta Santini.

Na avaliação de Paulo Gusmão, diretor de receptivos para o Rio Grande do Sul e presidente do Sindicato das Empresas de Turismo no Estado do Rio Grande do Sul (Sindetur RS), o principal desafio das Missões hoje não está na falta de atrativos, mas na dificuldade de transformar esse patrimônio em  roteiros capazes de manter movimento além dos fins de semana. Segundo ele, o fluxo segue concentrado em feriados e períodos de maior procura porque boa parte das operações ainda depende dessas datas para garantir demanda. 

Para ampliar a permanência, a região precisa integrar melhor os municípios, manter atrações e serviços em funcionamento fora dos períodos de pico e transformar os diferentes sítios arqueológicos, manifestações culturais e experiências ligadas à cultura Guarani em roteiros mais integrados e fáceis de vender. "O destino, em si, já está consolidado", afirma.

Para mudar esse cenário, o Estado ampliou a agenda de divulgação. Foram 190 ações realizadas em 2025, com apresentação do destino para mais de nove mil agentes. A intenção era fazer com que a região passasse a ser oferecida de forma contínua, e não apenas em períodos de maior movimento. Ao mesmo tempo, o roteiro começou a ser trabalhado junto com outros pontos do Estado.

As Missões, hoje, já aparecem associadas a destinos como Ametista do Sul e o Salto do Yucumã. O acesso aéreo se concentra em Santo Ângelo, enquanto São Borja aparece como porta de entrada para visitantes internacionais, principalmente da Argentina e do Paraguai. 

Porém, mesmo com promoção e investimento, o avanço não depende só de estrutura. O turismo ainda não é tratado de forma uniforme como atividade econômica na região. E, sem uma mudança de visão, o aumento de visitantes não garante distribuição de renda. "Existe um processo de transformação cultural em curso. Para que o turismo se desenvolva, é preciso que ele seja incorporado como prioridade", pontua Santini.

Os investimentos do Estado na área do turismo - R$ 15 milhões -  acompanham esse cenário e se distribuem entre municípios da região.

Fonte: Jornal do Comércio 


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