
A população da região das Missões precisa ficar em alerta contra uma nova onda de golpes digitais que usa o nome e a imagem da Defensoria Pública. O defensor público de Santo Ângelo, Waldemar Menchik Jr., utilizou o espaço do programa Aldeia Global, na Rádio Sepé, para denunciar o uso indevido de sua foto e da instituição para enganar cidadãos com promessas de falsos recebimentos judiciais.
Os golpistas abordam as vítimas pelo WhatsApp usando imagens de defensores públicos para dar aparência de legitimidade à fraude. Segundo Menchik, as mensagens informam que o cidadão teria um valor expressivo a receber referente a supostos ganhos de causa na Defensoria.
O esquema não é exclusivo da região. A Defensoria Pública da União (DPU) também emitiu alerta sobre casos em que criminosos utilizam nomes e fotos de defensores públicos federais para extorquir cidadãos com falsas promessas de liberação de valores mediante pagamento de taxas ou tributos inexistentes.
O defensor classifica a ação como uma "máfia" organizada, que já registrou casos similares em Santa Maria e Pelotas. Ele destaca que os criminosos agem com persuasão deliberada, explorando a esperança de quem aguarda receber valores atrasados.
"A pessoa simples, ingênua, que vê a imagem do defensor numa mensagem de celular dizendo que você tem R$ 77.699 para receber de um processo na Defensoria Pública, termina acreditando e termina conversando", alertou Waldemar durante a entrevista.
Um caso concreto ilustra o risco. Uma agricultora da região, que sequer tinha processo aberto na Defensoria, quase transferiu R$ 4.000 aos criminosos acreditando que seria uma taxa para liberar o dinheiro. "O marido dela disse: 'Por pouco ela não manda 4.000 para a pessoa pensando que era o senhor'", relatou o defensor.
O cenário é parte de um problema nacional crescente. Dados da Serasa Experian indicam que 51% dos brasileiros já foram vítimas de fraude digital em 2025, com prejuízo médio de R$ 2.903,96 — um aumento de 44% em relação ao ano anterior.
Para evitar que mais pessoas sejam vítimas, o defensor público Waldemar Menchik Jr. reforçou pontos fundamentais sobre o funcionamento da instituição, como a gratuidade total. "Quem é atendido pela Defensoria Pública não paga 1 centavo. Lá não se paga nada", enfatiza o defensor.
A instituição nunca envia mensagens pessoais com fotos de defensores. As comunicações oficiais são feitas por canais institucionais e, em geral, convocam o cidadão a comparecer pessoalmente à sede.
Além disso, jamais é solicitado depósito ou transferência para liberar pagamentos judiciais. A Defensoria Pública do Rio de Janeiro reforça o mesmo aviso: golpistas já abordaram cidadãos por telefone, WhatsApp, SMS e e-mail solicitando pagamentos via Pix, cartão ou boleto em nome da instituição.
Por fim, o defensor sugere uma medida simples de verificação: "Faça como contraponto imediatamente uma ligação para aquele número. Se aquele número não te atender, é golpe." "Não existe almoço grátis na vida. Não vem nada de graça. O que vão fazer é tomar o seu suado dinheiro", pontuou o defensor.
Além do alerta, o Dr. Waldemar anunciou a abertura de duas vagas para estágio de pós-graduação na Defensoria Pública de Santo Ângelo. As oportunidades são destinadas a bacharéis em Direito que estejam cursando especialização.
As inscrições podem ser feitas pelo site oficial da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul ou diretamente na sede em Santo Ângelo, na Rua Venâncio Aires, 122. Para o defensor, o estágio representa uma etapa decisiva na formação jurídica: "Muitas vezes a pessoa não tem o contato direto com o processo. Talvez seja a etapa mais importante na vida profissional”, concluiu.