
O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) encaminhou nesta sexta-feira (22/5) uma denúncia à Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) relatando supostas regalias concedidas à influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra durante o período em que permaneceu detida na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital paulista. Segundo o sindicato, a internação, que teria durado cerca de 14 horas, teria contado com uma série de condições consideradas diferenciadas em relação às demais custodiadas da unidade.
Entre os pontos citados na denúncia estão a disponibilização de um chuveiro exclusivo, uma cama distinta e alimentação diferente da oferecida às outras detentas. As informações foram divulgadas pelo g1. A entidade também afirma que o espaço onde Deolane ficou recolhida teria passado por adaptações estruturais para recebê-la, incluindo a instalação de uma cama de ferro equipada com colchão, lençol e travesseiro, em contraste com as camas de concreto utilizadas pelas demais internas. Outro ponto levantado é a colocação de um chuveiro elétrico privativo no local.
De acordo com o Sinppenal, ainda teriam ocorrido pintura e ajustes no ambiente onde a influenciadora permaneceu isolada, além de restrição de acesso de policiais penais à área, o que, segundo a denúncia, teria dificultado a fiscalização. O sindicato também aponta que a direção da unidade teria realizado a recepção pessoal da detida.
Entre as alegações, o sindicato menciona ainda a improvisação de uma cela especial, já que a unidade não possuiria estrutura própria para esse tipo de acomodação, prevista para advogados, o que teria levado à adaptação de um espaço separado das demais presas.
A SAP foi procurada e informou ao g1 que a custódia ocorreu “como advogada”, conforme decisão judicial, mas não comentou se abrirá apuração sobre as denúncias. A defesa de Deolane Bezerra também foi procurada, mas não se manifestou. A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) afirmou ao mesmo véiculo que há previsão no Estatuto da Advocacia para que profissionais da área presos preventivamente sejam mantidos em sala de Estado-Maior ou local equivalente separado dos demais detentos. A entidade acrescentou que acompanha o caso no âmbito da defesa das prerrogativas profissionais, sem relação com eventual benefício pessoal.
A influenciadora ficou detida entre 15h20 de quinta-feira (21/5) e 5h20 de sexta (22/5), quando foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista. Ela foi presa durante operação do Ministério Público e da Polícia Civil que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, há suspeita de participação em movimentações financeiras atribuídas ao grupo criminoso.
Fonte: Metrópoles