
Em 22 de maio de 1931, o patriarca da família Bergsleithner em Santo Ângelo/RS, o pintor e escritor austríaco Joseph Bergsleithner, chegava na Capital das Missões após partir de Vienna (Áustria).
Inicialmente, o austríaco Joseph Bergsleithner fixou moradia em Porto Alegre, em 1930, aceitando o trabalho na Estação Telegráfica de Porto Alegre, com o intuito de se manter no país, a qual atuava em parceria com a The Western Telegraph Company do Reino Unido.
Deu “MATCH”
Trabalhando na Estação Telegráfica de Porto Alegre, em 1930/1931, Joseph se comunicava com o Telégrafo da Via Férrea, em Santo Ângelo/RS, prédio que hoje abriga o Memorial Coluna Prestes e o Museu Ferroviário.
Em diversos contatos via telégrafo entre a capital do Estado e a capital missioneira, o austríaco Joseph acabou se interessando pela brasileira Cacilda Maria Kaipper que trabalhava no telégrafo em Santo Ângelo. Este foi o gatilho principal para deixar Porto Alegre e vir residir em Santo Ângelo em maio de 1931.
Desta forma, o austríaco da família Bergsleithner acabou se casando com a brasileira da família Kaipper, em Santo Ângelo, e o casal teve três filhos: Jacob, Rodolfo e Ana Emília.
Os filhos do imigrante
O primeiro filho de Joseph foi Jacob José Bergsleithner, nascido em 26 de junho de 1936, graduado em Direito na primeira turma na Faculdade de Direito de Santo Ângelo (Fadisa); foi o primeiro gráfico da cidade tendo criado a Gráfica Sagrada Família (hoje pertencente a Família Fasolo); um dos fundadores do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) na capital missioneira; foi vereador eleito pelo PMDB na cidade, foi fundador do Esporte Clube Arsenal no bairro Pippi e subsecretário municipal de Saúde. Jacob faleceu em 01/11/2021, aos 85 anos. Era casado com Adelina Fonseca Bergsleithner.
O segundo filho foi Rodolfo Ernesto Bergsleithner, nascido em 3 de abril de 1940, o popular “Peixe”. Conhecido em todo o interior do Estado como um exímio profissional na instalação de carpetes e pisos laminados, “Peixe” começou a trabalhar aos 14 anos no Curtume Basso S/A. Foi representante da Têxtil Tabacow S/A; trabalhou em parceria com a antiga MB Decorações de Iglenho Araújo Burtet (em memória). O “Peixe” foi jogador de futebol, tendo atuado como zagueiro no Esporte Clube Renner e no Tamoio Futebol Clube, onde foi campeão estadual em 1960. O famoso “Peixe” faleceu em 02/11/2014, aos 74 anos. Era casado com a professora Marlene Madalena Martin Bergsleithner (em memória) - filha do militar José Nepomuceno Martin (um dos fundadores do CTG Os Legalistas) e da portuguesa Matilde da Glória Rodrigues Martin. Mais tarde, “Peixe” foi casado novamente, desta vez com a professora Geneci Ribas de Souza, filha de Raul Ribas Duarte e Doralina de Souza Ribas.
A costureira e dona de casa, Ana Emília da Rosa Bergsleithner, foi a única filha mulher do austríaco Joseph. Aos 82 anos, Ana reside na Capital das Missões. Foi casada com Gilberto Antônio da Rosa (em memória), profissional que atuou por mais de 35 anos no frigorífico da cidade.
Os netos do austríaco
Os netos de Joseph Bergsleithner são: o professor de Educação Física Fábio Bergsleithner, a nutricionista Vânia Bergsleithner; a professora Joara Martin Bergsleithner (Phd e Doutora na UNB, em Brasília/DF), o jornalista e escritor Rodrigo Bergsleithner; o representante comercial Gélson da Rosa; a professora universitária Rosélia da Rosa Lutchmeyer e a massoterapeuta Danieli da Rosa.
Os bisnetos do austríaco
São bisnetos de Joseph Bergsleithner: Gabriel da Rosa Lutchmeyer, Rafael da Rosa Lutchmeyer, Felipe da Rosa, além de Matheus Hanusch Bergsleithner e Arthur Hanusch Bergsleithner (também netos maternos de Ademir Hanusch).
Legado na escrita
Segundo o advogado e articulista, Oscar Pinto Jung (em memória), o austríaco Joseph Bergsleithner, o qual ele conviveu, foi a única pessoa que ele conheceu que chegou a ler todos os livros da Biblioteca Pública Municipal Policarpo Gay, em Santo Ângelo. As suas visitas diárias na biblioteca municipal estão registradas no livro de presenças, com a sua assinatura, até os dias atuais.
De acordo com o articulista e historiador, Antônio Rousselet (em memória), o austríaco Joseph Bergsleithner portava sempre no bolso de seu palitó uma agenda onde escrevia poesias. Esta agenda está intacta até hoje e de posse do seu neto Rodrigo Bergsleithner.
Na capital missioneira, por ser pintor de quadros em Vienna, Joseph acabou se transformando em pintor predial. Foi ele o primeiro profissional a pintar o Colégio Marista Santo Ângelo e o Seminário Sagrada Família.
Na Áustria, em Vienna, Joseph Bergsleithner nasceu em 15 de setembro de 1904. Chegou ao Brasil em 1930. Foi residir em Santo Ângelo em 1931, quando passou a morar com a esposa Cacilda. O primeiro filho nasceu em 1936, Jacob, e casou oficialmente no Cartório de Santo Ângelo em 1938. Faleceu em 1969, aos 65 anos.
Foto: Rodrigo Bergsleithner