POLÍCIA
25/05/2026 às 08:57 por Patrick Siede


Santo Ângelo registrou 10 tentativas de feminicídio desde último caso consumado

Santo Ângelo registrou 10 tentativas de feminicídio desde último caso consumado
Foto: Reprodução

Santo Ângelo registrou 10 casos de feminicídio tentado desde o último feminicídio consumado no município, que foi em 2021. Os dados reforçam o alerta sobre a violência contra a mulher na Capital das Missões e mostram que, mesmo sem mortes consumadas por um período de quatro anos, os episódios de violência extrema continuaram sendo registrados.

Conforme o levantamento, em 2022 houve uma tentativa de feminicídio no mês de abril. Em 2023, o município teve o maior número de ocorrências no período, com cinco registros: um em fevereiro, três em abril e um em maio. Já em 2024, foram contabilizados três casos, registrados nos meses de junho, agosto e outubro. Em 2025, houve uma nova tentativa, no mês de junho.

O levantamento ganha ainda mais relevância após Santo Ângelo voltar a registrar um feminicídio consumado em 2026, com a morte de Marines Rodrigues, de 40 anos, no bairro Santa Bárbara. O caso reacendeu a preocupação sobre a violência doméstica e a necessidade de fortalecimento das redes de proteção, denúncia e acolhimento.

O feminicídio tentado ocorre quando há intenção de matar uma mulher em razão da condição de gênero, geralmente em contexto de violência doméstica, familiar, menosprezo ou discriminação contra a mulher, mas a vítima sobrevive ao ataque.

A violência contra a mulher pode aparecer de diferentes formas. Ela ocorre quando uma ação causa dano, sofrimento físico, sexual, psicológico, moral ou patrimonial, ou ainda quando coloca a vida da mulher em risco. A violência doméstica é uma das principais causas de feminicídio no Brasil e no mundo.

Entre os tipos de violência estão a física, como empurrões, tapas, socos, puxões de cabelo e agressões; a sexual, quando a mulher é forçada a manter relações ou impedida de decidir sobre o próprio corpo; a moral, com xingamentos, acusações falsas e exposição pública; a patrimonial, quando há destruição de documentos, objetos, instrumentos de trabalho ou controle do dinheiro; e a psicológica, marcada por ameaças, humilhações, perseguição, chantagem, isolamento de amigos e familiares, controle de celular, redes sociais e liberdade da vítima.

A violência doméstica pode ocorrer quando o agressor mora com a vítima, quando é parente ou quando mantém ou manteve relação de afeto com ela. Especialistas apontam que muitos casos seguem o chamado ciclo da violência, que começa com tensão, ameaças e agressões verbais; avança para o ato de violência; e, depois, pode entrar em uma fase de arrependimento, pedidos de perdão e comportamento carinhoso. Com o tempo, esse ciclo tende a se repetir e pode se tornar cada vez mais grave.

A Lei Maria da Penha prevê medidas de proteção para mulheres em situação de violência, como afastamento do agressor do lar, proibição de contato e aproximação, restrição de posse ou porte de armas, acompanhamento psicossocial, pensão alimentícia e possibilidade de prisão em flagrante ou preventiva. A legislação também garante atendimento por equipe multidisciplinar e assistência jurídica para a vítima em situações relacionadas à separação, divórcio ou dissolução de união estável.

As autoridades reforçam que a denúncia é uma das principais formas de interromper ciclos de violência. Mulheres em situação de risco, familiares, vizinhos ou qualquer pessoa que presencie agressões ou ameaças podem acionar os canais de atendimento.

Denúncias de violência doméstica podem ser feitas pelo Ligue 180, de qualquer lugar do Brasil. Também é possível acionar o canal pelo WhatsApp, no número (61) 99610-0180. Em situações de emergência, quando há risco imediato à vida ou à integridade da vítima, a orientação é ligar para a Brigada Militar pelo 190.

Em Santo Ângelo, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, a DEAM, está localizada na Avenida Venâncio Aires, número 1988, bairro Centro. O telefone para contato é (55) 3313-1742.

Redação do Grupo Sepé 


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