SAÚDE
25/05/2026 às 11:06 por Ricardo Bolson


Prefeito e secretário de saúde negam negligência na UPA após mortes de jovens em Santo Ângelo

Prefeito e secretário de saúde negam negligência na UPA após mortes de jovens em Santo Ângelo

A gestão municipal de Santo Ângelo se manifestou nesta segunda-feira (25) para responder às graves acusações de precariedade na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que ganharam força após a morte de dois jovens na última semana.

Em entrevista exclusiva à Rádio Sepé no gabinete do prefeito Nívio Braz, o mandatário e o secretário municipal de Saúde, Flávio Christensen, rebateram críticas e classificaram parte das informações que circulam nas redes sociais como distorções dos fatos.

Um movimento público que já reúne relatos de mais de 600 cidadãos com queixas sobre o atendimento, planeja um ato público para exigir apuração rigorosa.

A administração municipal, por sua vez, descarta negligência, afirma que os protocolos médicos foram seguidos e chama as críticas de "politicagem".

"Ninguém morreu na UPA", afirma prefeito

O prefeito Nívio Braz contestou a informação de que os óbitos teriam ocorrido dentro da unidade. Ele esclareceu que tanto Luiz Fernando Fonseca Ribeiro, de 18 anos, quanto a jovem identificada como Maria Eduarda, de 17, faleceram após transferência para o Hospital Santo Ângelo, o Regional das Missões.

"A maior parte das coisas que estão circulando são mentiras, são inverdades, são distorções dos fatos. Queria deixar bem claro aqui que ninguém veio a óbito na UPA. Pelo menos desde que eu estou aqui, não houve nenhum fato", declarou o prefeito.

Braz também apontou demora do hospital em disponibilizar leitos. No caso de Luiz Fernando, segundo ele, a solicitação de internação foi feita às 11h, mas o retorno do hospital chegou apenas às 15h.

"Não se trata de transferir responsabilidade, é falar a verdade sobre o ocorrido. Não vou entrar no mérito de conduta médica, porque não é prefeito que vai dar opinião no que um médico faz", pontuou.

Surto de influenza e "evoluções catastróficas"

O secretário de saúde, Flávio Christensen, situou as mortes dentro do quadro epidemiológico regional. Santo Ângelo enfrenta estado de emergência em função da Influenza A (H1N1), e os dois jovens apresentaram quadros de Síndrome Respiratória Aguda Grave com progressão extremamente rápida.

O cenário local reflete uma tendência estadual preocupante. O Rio Grande do Sul registrou em 2025 o maior número de hospitalizações e mortes por gripe desde a pandemia de H1N1, em 2009, com 2.654 internações por SRAG e 423 óbitos confirmados até meados de julho daquele ano. Os dados da Secretaria Estadual de Saúde mostram ainda que 82% das pessoas hospitalizadas e 78% das que morreram por gripe não estavam vacinadas.

Christensen defendeu a atuação da equipe da UPA e afirmou que o atendimento foi imediato, classificado como emergência com tarja vermelha.

"A doença é grave. Pacientes jovens, a princípio sem comorbidade, com evoluções catastróficas e rápidas. Nesse caso desse jovem, quando ele foi atendido até o óbito, não deu 24 horas", explicou o secretário.

Ele acrescentou que a taxa de vacinação do grupo de risco em Santo Ângelo está em apenas 35%, bem abaixo da meta nacional de 90%.

Reforço nas equipes e embate político

Como resposta imediata à alta demanda, que chega a 200 atendimentos diários, a prefeitura anunciou medidas de reforço: quatro médicos de plantão nos horários de pico, ao final da tarde e à noite; um pediatra exclusivo na Secretaria de Saúde para suporte; e abertura de sindicância interna para revisão dos prontuários dos casos recentes.

O clima permanece tenso. O prefeito e o secretário denunciaram receber ameaças de morte em redes sociais e prometeram acionar a justiça contra vereadores da oposição, a quem chamaram de "urubus carniceiros".

"Tem um absurdo de mensagem na rede social onde as pessoas convocam a assassinar o Flávio e o médico (responsável pelo atendimento do paciente que faleceu). Isso tudo vai virar caso judicial, caso de polícia", afirmou Nívio Braz.


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