
Um movimento que se espalhou pelas redes sociais nesta segunda-feira, 25, convoca para o próximo domingo, 31, um protesto pacífico em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santo Ângelo para cobrar melhorias na saúde pública local. O ato está previsto para as 15h e é acompanhado de uma pauta formal de reivindicações entregue à sociedade e ao poder público.
O documento apresentado pelos organizadores abrange seis eixos principais: qualidade no atendimento, estrutura física e equipamentos, abastecimento de medicamentos, dimensionamento de equipe, transparência na gestão e protocolos de prevenção.
Entre as exigências prioritárias está a redução imediata do tempo de espera para classificação de risco e atendimento médico, com respeito aos protocolos do Ministério da Saúde. Os organizadores também pedem capacitação contínua das equipes para diagnóstico diferencial de doenças respiratórias, cardiológicas e de saúde mental.
A pauta cita especificamente o risco de confusão diagnóstica: os manifestantes pedem que "sintomas de influenza ou outras enfermidades graves" não sejam "confundidos com crises de ansiedade". O documento exige ainda "escuta qualificada e acolhimento, especialmente para crianças, adolescentes e idosos".
Na área de infraestrutura, os cidadãos cobram o funcionamento do aparelho de Raio-X durante 24 horas, com técnico disponível em todos os plantões — o que, segundo a pauta, não estaria ocorrendo de forma regular. Também é exigida a disponibilização de exames laboratoriais básicos de urgência na própria unidade.
Quanto à Farmácia Municipal e à farmácia da UPA, os manifestantes pedem abastecimento regular de medicamentos essenciais para o tratamento de influenza, síndromes respiratórias e infecções. O documento cobra ainda "transparência na lista de medicamentos em falta, com prazo para regularização e divulgação à população", além da garantia de acesso a antivirais e antibióticos padronizados pelo SUS quando prescritos em situação de urgência.
Um dos pontos mais sensíveis da pauta é a exigência de "apuração transparente, com acompanhamento do Conselho Municipal de Saúde, dos dois casos recentes de óbitos de adolescentes relacionados à demora e/ou falha no atendimento". O grupo não identifica os casos nominalmente, mas a menção a eles aparece como um dos principais motivadores do protesto.
A pauta faz referência direta à Constituição Federal para embasar as reivindicações: "A saúde é direito de todos e dever do Estado, art. 196 da Constituição Federal. Nenhuma família mais pode perder um filho por demora, falta de exame ou falta de remédio."
Os organizadores reforçam o caráter apartidário e não violento do ato. "Este ato é pacífico, apartidário e dentro da lei. Não aceitamos violência, depredação ou ofensas", afirma o documento. O grupo diz querer "diálogo com a Prefeitura, Secretaria de Saúde e Câmara de Vereadores para construir soluções juntos".
Entre as demandas complementares estão o dimensionamento adequado de médicos, enfermeiros e técnicos por plantão "conforme a demanda real do município", a presença de pediatra no pronto atendimento em horário de maior movimento, a divulgação mensal de indicadores de atendimento e a criação de um canal direto da população com a Ouvidoria da Saúde Municipal.