SAÚDE
27/05/2026 às 11:23 por Ricardo Bolson


Infectologista alerta para importância de vacinação e diagnóstico precoce em casos de Influenza

Infectologista alerta para importância de vacinação e diagnóstico precoce em casos de Influenza

Santo Ângelo tem registrado um aumento significativo nos atendimentos por síndromes respiratórias nos últimos 20 dias. O cenário, que coincide com a chamada meia estação e as mudanças bruscas de temperatura, preocupa as autoridades de saúde após a confirmação de óbitos de jovens por complicações da influenza na região.

Em entrevista ao programa Aldeia Global, da Rádio Sepé, o médico infectologista Sérgio Jaskulski trouxe orientações sobre prevenção, sintomas e o atual panorama hospitalar.

Cenário epidemiológico e transmissão

Segundo o Dr. Jaskulski, o aumento na procura pelos prontos-atendimentos do Hospital Regional das Missões e do Hospital Unimed Missões abrange todas as faixas etárias, de crianças a idosos. O especialista explica que o clima atual favorece a propagação do vírus: "É bem nessa época que acontece a maior transmissão, aumenta aglomeração, junção de pessoas, ar fechado, não tem aquela troca de ar".

O médico ressalta que, embora não existam novas cepas identificadas no momento, a baixa cobertura vacinal dos últimos anos tem cobrado um preço alto. "Nosso histórico nos últimos anos de cobertura vacinal foi um desastre a partir do Covid. Houve uma defasagem, baixa adesão", pontua Jaskulski.

O alerta se insere num cenário estadual preocupante. Em 2025, o Rio Grande do Sul registrou o maior número de hospitalizações e mortes por gripe desde a pandemia de H1N1, em 2009, com 2.654 internações por síndromes respiratórias agudas graves e 423 óbitos confirmados até julho daquele ano — superando todos os anos anteriores.

Sintomas: como diferenciar a gripe do resfriado

A demora no diagnóstico pode ser fatal. O infectologista destaca que os sintomas da gripe são muito mais intensos do que os de um resfriado comum. Os principais sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata são febre alta acima de 38°C, tosse seca persistente com irritação na garganta, dor muscular intensa — semelhante à sensação de exaustão física — e coriza.

O tratamento precoce com antivirais é fundamental para reduzir as chances de internação. O oseltamivir, conhecido pelo nome comercial Tamiflu, deve ser iniciado precocemente, nas primeiras 24 ou 48 horas dos sintomas, quando a medicação tem maior eficácia para conter a replicação viral. O uso, no entanto, depende de avaliação e prescrição médica.

Rede hospitalar e prevenção

Apesar do aumento nas consultas ambulatoriais, o Dr. Jaskulski afirma que a situação de internações por influenza ainda é considerada estável, sem superlotação nos leitos de UTI. Ainda assim, o Hospital Regional das Missões já ativou seu plano de contingência para o inverno rigoroso que se aproxima.

O especialista conclui que, embora o vírus possa debilitar o sistema imunológico rapidamente em alguns casos — a depender da resistência de cada organismo —, a ciência e a prevenção são as melhores ferramentas para superar o atual momento.

Vacinação: a melhor demonstração de afeto

Para combater o surto, a principal ferramenta continua sendo a imunização. A vacina disponível atualmente cobre três cepas do vírus e leva cerca de 15 dias para atingir proteção total no organismo. O Dr. Jaskulski desmistificou o receio de reações adversas, afirmando que o imunizante é seguro e produzido por instituições renomadas como Fiocruz e Butantan.

Ele reforça que a vacina é essencial para prevenir quadros de pneumonia viral e Síndrome Respiratória Aguda Grave. Em apelo à comunidade, o médico recorreu a uma metáfora direta: "Quem ama cuida. Ama teu ente querido, teu companheiro, teu amigo, vacine-se. É a melhor demonstração de amor que tu tens".


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