
Em meio ao cenário de baixa cobertura vacinal, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) seguem em crescimento no Rio Grande do Sul. Nesta quinta-feira (28), o Estado entrou na categoria de alto risco para a doença. A informação consta no novo boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Conforme a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, os casos de SRAG já ultrapassaram o limiar "muito alto". Por isso, o Estado foi reclassificado para "alto risco". Em 21 de maio, o cenário era de risco.
O boletim aponta que 514 casos de síndrome respiratória foram registrados entre os dias 17 e 23 de maio – semana epidemiológica 20.
O vírus Influenza A segue com maior circulação no território gaúcho, causando casos graves e hospitalizações. Todas as faixas etárias estão sendo impactadas pela doença, incluindo crianças a partir de 2 anos, adultos e idosos. Também há incidência do Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
De acordo com a pesquisadora, o cenário requer atenção e não há previsão de estabilidade dos casos:
— É natural observar aumento de SRAG nessa época do ano. A questão é o quão alto esses casos vão atingir. Ainda não há sinal de estabilidade ou redução no Rio Grande do Sul. O Estado já superou os índices de 2023 e 2024.
O painel de monitoramento da Secretaria Estadual da Saúde (SES) aponta que 4.847 hospitalizações por SRAG foram registradas até o momento. Em relação a mortes, são 322 óbitos confirmados, sendo que 80 são por Influenza.
A vacina é a maneira mais eficaz de combater os casos graves de síndrome respiratória. O imunizante aplicado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é destinado aos grupos prioritários e protege contra três cepas da influenza.
Dados do Ministério da Saúde apontam que mais da metade da população prioritária não está protegida contra a doença no Estado. O mesmo ocorre em Porto Alegre. A situação preocupa autoridades e médicos.
A campanha nacional de vacinação contra a gripe encerra no próximo sábado (30). Após o término, os municípios seguirão aplicando o imunizante conforme a disponibilidade em estoque.
Fonte: GZH