
Os preços do petróleo fecharam em alta nesta quarta-feira, 10, impulsionados pelas declarações belicosas do presidente norte-americano, Donald Trump, após a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã. O preço do barril de Brent do Mar do Norte para entrega em agosto subiu 1,80%, a 93,10 dólares o barril. Seu equivalente norte-americano, o West Texas Intermediate (WTI), para entrega em julho subiu 2,08%, a 90,03 dólares o barril.
"Os preços do petróleo iniciaram uma tendência altista depois que o presidente americano (...) afirmou que atacaria o Irã porque o país tinha demorado demais na mesa de negociações", declarou à AFP Robert Yawger, da Mizuho USA.
O presidente norte-americano disse, nesta quarta-feira, que os iranianos tinham "demorado demais para negociar um acordo que teria sido excelente para eles", e acrescentou que "teriam que pagar as consequências", em mensagem publicada em sua rede, Social Truth.
Teerã, por sua vez, anunciou que tinha atacado bases americanas no Golfo em represália aos ataques de Washington contra alvos iranianos, após a derrubada de um helicóptero americano, atribuído ao Irã. Estes últimos acontecimentos geram temores de uma interrupção prolongada no abastecimento de petróleo cru, pois o Estreito de Ormuz permanece bloqueado pelo Irã. Quase um quinto do petróleo mundial transita normalmente por esta via marítima estratégica.
Trump afirmou, nesta quarta-feira, que as forças americanas tinham realizado uma "missão secreta" que permitiu o transporte de 100 milhões de barris de petróleo através deste gargalo.
Enquanto isso, os países seguem recorrendo a suas reservas de petróleo bruto em uma tentativa de frear o aumento dos preços. Nos Estados Unidos, as reservas estratégicas de petróleo voltaram a cair drasticamente na semana passada, em 7,9 milhões de barris, segundo dados publicados nesta quarta pela Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA).
Neste ritmo, a previsão é de que alcancem seu nível mais baixo em mais de 40 anos na próxima semana. A maioria dos investidores está convencida de que "a oferta mundial de petróleo não chegará a um déficit incontrolável em relação à demanda", assinala Tamas Varga, analista da PVM.
Yawger, no entanto, teme que "em breve seja alcançado um ponto de inflexão", que faria com que o preço do barril ultrapasse novamente a barreira simbólica dos 100 dólares.
Fonte: Correio do Povo