ESPORTES
11/06/2026 às 17:42 por João Gomes


Copa do Mundo amplia risco de dependência em apostas esportivas, alertam especialistas

Copa do Mundo amplia risco de dependência em apostas esportivas, alertam especialistas
Foto:  Joédson Alves / Agência Brasil / CP

Exposição intensa à publicidade durante o torneio preocupa especialistas, que alertam para o avanço do vício em apostas, sobretudo entre jovens e populações vulneráveis.

O início da Copa do Mundo 2026, nesta quinta-feira (11), na América do Norte, acende um sinal de alerta para o aumento da dependência em apostas esportivas. Especialistas e entidades apontam que o período é especialmente sensível para jovens e pessoas com menor controle sobre comportamentos de risco, devido à forte exposição à publicidade e ao apelo emocional do torneio.

De acordo com o sociólogo francês Thomas Amadieu, autor de estudos sobre jogos de azar, grandes eventos esportivos funcionam como porta de entrada para novos apostadores. Ele compara a estratégia à utilizada pela indústria do tabaco no passado, ao associar o cigarro a ideias de liberdade, prazer e transgressão. Para o pesquisador, vincular apostas ao esporte representa uma mudança cultural profunda e difícil de reverter.

Amadieu destaca que a Copa do Mundo é um “momento de risco”, marcado pelo aumento de campanhas publicitárias, ofertas de bônus e ações com influenciadores digitais. Esse cenário amplia o alcance das plataformas e atrai, principalmente, um público mais jovem, que muitas vezes não acompanha futebol ao longo do ano.

Apesar disso, há exceções entre atletas. O atacante do Real Madrid, Kylian Mbappé, por exemplo, evita associar sua imagem a empresas de apostas. Segundo especialistas, essa relação entre esportistas e marcas pode gerar efeitos colaterais, como pressão excessiva e ataques nas redes sociais quando o desempenho não corresponde às expectativas dos apostadores.

Os jovens estão entre os mais expostos. Em eventos de grande impacto social, a publicidade das casas de apostas se intensifica tanto no ambiente digital quanto em espaços públicos. No Reino Unido, há restrições que proíbem anúncios nos minutos que antecedem e sucedem as partidas, mas entidades consideram a medida insuficiente e defendem regras mais amplas.

Outro ponto de preocupação são as estratégias de marketing direcionadas a adolescentes. Como o cérebro ainda está em desenvolvimento, esse público tende a ter maior dificuldade de controlar impulsos, o que pode levar a apostas excessivas, tentativas de recuperar perdas, endividamento e até conflitos familiares.

Além dos jovens, moradores de áreas mais vulneráveis também estão entre os grupos de risco. A promessa de ganhos rápidos pode estimular comportamentos impulsivos, associando as apostas a reconhecimento social e fuga de dificuldades financeiras.

Diante desse cenário, especialistas defendem o avanço de legislações mais rígidas e restrições à publicidade do setor. A crítica é de que a própria indústria, responsável pelos impactos negativos, tenta se apresentar como solução por meio de autorregulação. Em contrapartida, diversos países têm adotado medidas mais severas para limitar a oferta e a promoção de jogos de azar, com o objetivo de proteger os consumidores.

Redação do Grupo Sepé com informações do Correio do Povo


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