
Documento defende a recomposição salarial dos servidores, mas pede que agentes políticos abram mão do reajuste diante do cenário econômico e fiscal.
As entidades representativas de Santo Ângelo: Sindilojas Missões, Sindicato Rural de Santo Ângelo e Agir divulgaram nesta sexta-feira, 19, uma carta aberta à comunidade e aos representantes do poder público municipal manifestando posição contrária aos projetos de lei que tramitam na Câmara de Vereadores e que preveem a reposição inflacionária de 4,26% aos subsídios do prefeito, vice-prefeito, secretários municipais e vereadores.
No documento, as entidades destacam que apoiam e consideram legítima a recomposição salarial concedida aos servidores públicos municipais, por entenderem que a medida é necessária para preservar o poder de compra dos trabalhadores e está amparada pelos princípios constitucionais da revisão geral anual.
Entretanto, defendem que o mesmo reajuste não seja aplicado, neste momento, aos cargos políticos do município. A justificativa apresentada leva em conta o atual cenário econômico do país, marcado por juros elevados, redução do poder aquisitivo das famílias e dificuldades enfrentadas por trabalhadores, empreendedores e pelo setor produtivo.
A carta também menciona preocupações com a situação financeira do município, especialmente em relação ao déficit do sistema previdenciário próprio dos servidores. Segundo as entidades, o contexto exige prudência, responsabilidade e atenção à sustentabilidade das contas públicas.
No texto, os signatários afirmam que a renúncia ao reajuste por parte dos agentes políticos representaria um gesto de responsabilidade fiscal, respeito aos contribuintes e solidariedade à população. Eles ressaltam que não questionam a legalidade da revisão inflacionária, mas sim sua conveniência e oportunidade diante das atuais circunstâncias econômicas e financeiras.
Ao final, as entidades reiteram apoio à valorização dos servidores municipais, mas conclamam prefeito, vice-prefeito, secretários e vereadores a adotarem uma postura de exemplo, austeridade e compromisso com a saúde financeira do município.
A carta foi divulgada em Santo Ângelo e é datada de 19 de junho de 2026.
Confira o documento na íntegra:
CARTA ABERTA À COMUNIDADE E AOS REPRESENTANTES DO PODER PÚBLICO MUNICIPAL
As entidades abaixo signatárias vêm a público manifestar sua posição acerca dos projetos de lei em tramitação na Câmara Municipal que preveem a reposição inflacionária de 4,26% aos subsídios do Prefeito, Vice-Prefeito, Secretários Municipais e Vereadores.
Inicialmente, registramos nosso posicionamento favorável ao reajuste concedido aos servidores públicos municipais. A recomposição inflacionária dos vencimentos dos servidores constitui medida legítima e necessária para preservar o poder de compra dos trabalhadores, encontrando amparo nos princípios constitucionais que asseguram a revisão geral anual da remuneração dos agentes públicos.
Entretanto, entendemos que o mesmo tratamento NÃO deve ser aplicado, neste momento, aos cargos políticos do Município.
Nosso posicionamento decorre da análise do atual cenário econômico e fiscal enfrentado pelo país e pelo Município. A sociedade brasileira convive com elevadas taxas de juros, redução do poder de compra das famílias, aumento do endividamento da população e persistentes dificuldades econômicas que afetam trabalhadores, empreendedores e o setor produtivo.
No âmbito municipal, é de conhecimento público a preocupação com a situação financeira do sistema previdenciário próprio, especialmente em relação ao déficit existente no fundo de aposentadoria dos servidores. Tal realidade exige prudência, responsabilidade e máxima atenção à sustentabilidade das contas públicas.
Diante desse contexto, entendemos que as lideranças políticas devem demonstrar sensibilidade e compromisso com o interesse coletivo, adotando medidas que sirvam de exemplo à população. A renúncia à reposição inflacionária dos subsídios dos agentes políticos, neste momento, representaria um gesto de responsabilidade fiscal, respeito aos contribuintes e solidariedade às dificuldades enfrentadas pela comunidade.
Não se trata de questionar a legalidade da revisão proposta, mas de avaliar sua conveniência e oportunidade diante das circunstâncias econômicas e financeiras atuais.
A legalidade de uma medida não afasta a necessidade de uma análise criteriosa sobre seus impactos e sobre a mensagem transmitida à sociedade.
Por essas razões, manifestamos nosso apoio à valorização dos servidores públicos municipais, mas nos posicionamos de forma contrária à concessão da reposição inflacionária aos cargos de Prefeito, Vice-Prefeito, Secretários Municipais e Vereadores neste momento, conclamando os representantes públicos a adotarem uma postura de exemplo, austeridade e compromisso com a saúde financeira do Município.
Santo Ângelo, 19 de junho de 2026.
Entidades Signatárias:
Redação do Grupo Sepé