
“Se pessoas de outros municípios enxergarem as fotos [do arroio], irão pensar que nem temos coleta de lixo muito menos coleta seletiva”, diz a presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Ijuí, e mestre em biologia, Lorete Thomas Flores. Com os baixos volumes de chuva nos últimos meses, a vazão reduzida do arroio São João, no município de Santo Ângelo, revela a grande quantidade de lixo que é jogado na água.
A imagem que mais chama a atenção são os plásticos e roupas acumulados nos galhos da vegetação às margens do arroio. O arroio São João tem duas nascentes que lhe formam, as quais conforme a Carta do Exército Brasileiro estão localizadas no Rincão dos Roratos e no Distrito de Sossego. Por passar a beira dos bairros Assistencial Braga, Dytz e Dido os quais concentram grande número de moradores, além de ter moradias em áreas de preservação ambiental o descontrole habitacional e populacional acarreta na falta da educação ambiental.
Sangas formadas na área urbana do município, como sanga do Galerno, Rogowski e Cohab deságuam no arroio São João, corredores de água estes que são usados para o descarte irregular do lixo produzido pela população. IMPACTO Tudo o que é arrastado pelas águas do arroio acaba parando em trechos como após a ponte da ERS – 344. A estiagem só torna o crime ambiental mais visível. De acordo com a professora Lorete o impacto causado pelo lixo é incalculável. “Não temos como mensurar o impacto ambiental no arroio. Para dizer exatamente quais os impactos causados são necessários análise de água, solo e também estudo de fauna e flora.
Em função disso a melhor medida sempre é a prevenção de impactos”, comenta. Conforme a professora, somente a conscientização da população poderá amenizar os impactos ambientais, cometidos gradualmente pelo passar dos anos. “Os impactos ambientais só serão mitigados quando a polução se conscientizar de que devemos respeitar as leis da natureza. No nosso município temos vários programas para diminuir os impactos ao meio ambiente, mas não adianta os mesmos existirem se a população não adere. Como exemplo podemos citar a Coleta Seletiva do Lixo”, frisa Lorete. Ainda, conforme a professora Lorete a poluição de um arroio afeta diretamente a saúde da população humana.
As doenças com maiores incidências relacionadas à água poluída são: diarréia, leptospirose parasitóides, além do agravamento das epidemias como a dengue.
SECRETARIA
A equipe de reportagem entrou em contato com a Secretaria de Meio Ambiente para saber quais são as ações para inibir o descarte de lixo no arroio e qual atitude que a mesma pretende tomar na tentativa de recuperação da fauna e flora do São João. Em nota assinada pelo fiscal ambiental da Semma, Eduardo Froncek diz que a secretaria está ciente do descarte irregular de resíduos que ocorrem no arroio. “Nos casos em que não é possível o flagrante por parte dos fiscais, é necessário que a comunidade fotografe e filme o descarte, possibilitando identificar o criminoso”.
Patrick Siede | Grupo Sepé