ECONOMIA
06/07/2026 às 15:19 por João Gomes


Reforma Tributária exige planejamento antecipado das empresas ainda em 2026

Reforma Tributária exige planejamento antecipado das empresas ainda em 2026
Foto: Winner Assessoria Contábil

Especialista alerta para impactos no caixa, na competitividade e na estratégia dos negócios durante a transição do novo sistema tributário.

A Reforma Tributária deve provocar uma das maiores transformações no ambiente empresarial brasileiro nas últimas décadas. Mais do que substituir tributos, as novas regras vão alterar a forma como as empresas compram, vendem, aproveitam créditos tributários, formam preços, administram fornecedores e organizam o fluxo de caixa.

Segundo o tributarista Vinícius Gomes, da B2W Consulting, a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá PIS e Cofins, e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), em substituição ao ICMS e ao ISS, inaugura um modelo de tributação sobre o consumo baseado na não cumulatividade plena, cobrança no destino e uma transição gradual até 2033. Nesse cenário, a carga tributária passará a depender não apenas do regime de tributação, mas também da estrutura das operações, da cadeia de fornecedores e da eficiência da gestão fiscal.

Entre os principais desafios está o aproveitamento de créditos tributários. Embora a nova sistemática amplie as possibilidades de crédito para empresas com elevado volume de compras, erros na classificação das operações poderão resultar em aumento da carga tributária ou perda de créditos relevantes. Outro ponto de atenção é o Split Payment, mecanismo que prevê o recolhimento automático do imposto no momento do pagamento da nota fiscal. Com isso, os tributos deixam de compor temporariamente o caixa das empresas, exigindo revisão do capital de giro, da precificação e dos contratos com fornecedores.

O especialista também destaca que empresas optantes pelo Simples Nacional precisarão reavaliar suas estratégias. Em determinados segmentos, o regime poderá reduzir a competitividade nas vendas para empresas que dependem de créditos tributários, tornando necessária a análise de alternativas como o Lucro Presumido ou o Lucro Real.

Além disso, a reforma deverá produzir efeitos sobre operações patrimoniais, holdings, construção civil, comércio, indústria e prestação de serviços. Para Vinícius Gomes, o maior risco é adiar o planejamento. A recomendação é que as empresas iniciem desde já simulações de impacto, revisem contratos, avaliem o regime tributário e utilizem ferramentas tecnológicas para projetar cenários durante o período de transição. Quem se antecipar poderá reduzir riscos, preservar a competitividade e identificar oportunidades antes da implantação definitiva do novo modelo tributário.

Redação do Grupo Sepé 


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