POLÍTICA
21/07/2026 às 11:33 por João Gomes


Partidos traçam estratégias para Assembleia Legislativa no RS

Partidos traçam estratégias para Assembleia Legislativa no RS
Foto: Christiano Ercolani/Agência ALRS

Diversos movimentos moldam a disputa pelas 55 cadeiras no parlamento gaúcho para as eleições de 2026.

Com o início das convenções partidárias, os estrategistas políticos gaúchos mergulham em cálculos matemáticos complexos. O objetivo não é apenas projetar a disputa majoritária (as vagas de governador do Rio Grande do Sul e as duas ao Senado), mas olhar para as 55 cadeiras da Assembleia Legislativa que estarão em jogo. O cálculo envolve movimentos para manter as atuais bancadas ou ampliá-las, no caso dos otimistas; e tentar sobreviver, no caso dos pessimistas.

A influência da disputa à presidência da República na eleição local e o desempenho dos pré-candidatos ao governo do Estado, assim como os nomes colocados ao Senado, também são ações contabilizadas neste cenário. Há ainda apostas em novatos com grande influência nas redes sociais e em nomes mais conhecidos do campo político.

Fato é que cada partido/bancada tende a ter as suas vulnerabilidades e apostas, soma-se a isso a média tradicional de renovação do Legislativo gaúcho, que tem sido de cerca de 50% nas últimas quatro eleições.

Há outro elemento que precisa ser considerado que foi a janela partidária do início do ano, que movimentou muito o tabuleiro. Não só pelas trocas de siglas, mas pelo crescimento acelerado de algumas, como o caso do PSD, e o desaparecimento de outras, como o PSDB e o PCdoB.

A fragmentação partidária no cenário gaúcho

Antes de mergulhar na realidade de cada sigla, é importante ainda compreender as especificidades das siglas no Estado e como elas têm se alterado ideologicamente nos últimos anos. O professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Rodrigo Stumpf González, destaca que não se deve mais analisar a construção das Assembleias apenas pelas siglas. Isso porque o processo de fragmentação se ampliou, transformando partidos em "frentes ideológicas" ou "frentes de interesses" em vez das estruturas partidárias tradicionais. Assim, de uma certa forma, o perfil do candidato torna-se mais relevante do que a legenda, com estratégias que variam entre o localismo (candidatos com base em prefeituras e regiões) e o mobilismo de categorias ou causas ideológicas.

Em um exercício de projeção é provável que se vejam algumas “novidades” sendo eleitas em outubro, como aqueles candidatos que são críticos dos políticos. É preciso levar em consideração ainda a ascensão de "influencers" políticos que, embora consigam votações expressivas como outsiders, muitas vezes carecem de base local e enfrentam dificuldades para manter a mobilização ao longo do mandato, no caso de buscarem uma reeleição, por exemplo.

O professor alerta ainda para a presença das redes sociais como canais de mobilização e que acabam por auxiliar na eleição de alguns nomes, que muitas vezes passam fora do radar.

O comportamento do eleitor e as estratégias de campanha

Fato é que há uma fragilidade na escolha proporcional e isso reflete em dados. González recorda que nos estudos pós-eleição, um mês depois do pleito, um percentual muito alto de eleitores não recorda em que votou, soma-se a isso ainda o chamado voto de última hora.

Em outras palavras, os partidos acabam precisando levar esses fatores ainda em consideração durante a campanha, mas nas suas estratégias na construção do que é chamado de uma nominata forte na disputa. Até porque um percentual pequeno de deputados é eleito apenas com os seus votos. Muitos são auxiliados pelos chamados “puxadores de votos” e das legendas.

Assim, a eleição de outubro se desenha como uma disputa de votos de legenda contra nominatas reforçadas, onde cada cálculo de quociente eleitoral pode determinar a sobrevivência política das siglas no Rio Grande do Sul.

Fonte: Correio do Povo


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