
As fortes chuvas que atingiram Passo Fundo entre terça-feira (21) e quarta-feira (22) mobilizaram não apenas equipes da Defesa Civil e órgãos públicos, mas também grupos de voluntários que auxiliaram no atendimento às famílias afetadas pelos alagamentos.
Entre eles, o Pampa Jipe Clube participou do resgate de aproximadamente 30 famílias que ficaram isoladas em áreas de difícil acesso da cidade.
Com o apoio de cinco jipes preparados para enfrentar terrenos alagados e trechos comprometidos pelas enxurradas, cerca de dez voluntários passaram o dia auxiliando moradores na retirada de suas casas e no deslocamento para locais seguros.
Para o presidente do Pampa Jipe Clube, Gullit Grando, cada atendimento realizado ao longo da operação carregava uma história diferente.
— Por trás de cada resgate, existe uma história de vida. Isso reforça ainda mais o propósito de estarmos ali, fazendo a nossa parte e ajudando quem mais precisa — afirma.
Segundo Grando, algumas situações vividas durante os atendimentos acabaram impactando ainda mais os voluntários envolvidos na ação.
As ocorrências envolvendo crianças e idosos foram as que mais chamaram a atenção das equipes que atuaram nos resgates.
— As crianças, com seus pedidos de ajuda, o carinho e a confiança no olhar. Já os idosos nos emocionam de outra forma: muitos vivem nesses locais há décadas e compartilham histórias de outras enchentes, contando quantas vezes perderam seus bens materiais e precisaram recomeçar — relata.
Mesmo com a redução do volume de chuva, o grupo segue em prontidão para novos chamados.
O presidente afirma que os voluntários mantêm contato permanente com a Defesa Civil e estão à disposição para apoiar eventuais operações que ainda sejam necessárias.
Passo Fundo registrou o segundo maior acumulado de chuva em 24 horas da história entre a terça-feira (21) e a manhã desta quarta-feira (22).
Conforme dados da estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na Embrapa Trigo, foram 171,4 milímetros de precipitação no período, volume inferior apenas ao recorde de 174 milímetros, registrado em 28 de abril de 1998.
De acordo com a Defesa Civil, 98 pessoas precisaram sair de casa. Segundo a prefeitura, há 19 pessoas no albergue ou na Casa da Mulher. O Centro Pop também está à disposição, mas ainda não foi usado. O restante das pessoas está em casas de familiares. Até o momento, não há feridos.
Fonte: GZH