
Em Muçum, o final da manhã desta quarta-feira foi de sentimentos mistos. O município, localizado na parte alta do vale do rio Taquari, está com suas atividades e comércio relativamente normais, mas um grupo de moradores da região mais baixa, junto ao rio, está apreensivo. Com o excesso de chuva, o rio subiu até a marca de 19,20 metros, 1,20 metro acima da cota de inundação, fazendo sumir casas no meio da água e ainda desalojando famílias.
Doze delas estão no ginásio de esportes do bairro Cidade Alta, e outras seis no CTG Vaqueanos da Tradição. Há mais vagas, caso necessário, segundo a prefeitura. As aulas em dois colégios municipais da cidade foram interrompidas para que os pais pudessem buscar os estudantes diante do temporal. Enquanto isso, o rio Taquari segue veloz morro abaixo, com a várzea quase chegando na ERS 130.
A correnteza leva consigo ainda detritos e objetos diversos, uma cena que não apenas traz à lembrança os ecos das enchentes devastadoras de setembro e novembro de 2023, além de maio de 2024, como também preocupa os habitantes locais. A secretaria de Assistência Social de Muçum, Joice Sebben, disse que a situação já estava “um pouco mais confortável”, porque o Taquari estava subindo somente cinco centímetros por hora, em tendência de estabilidade, bem distante da marca superior a meio metro registrada no começo do dia.
Com isso, moradores chegaram a receber o aviso do cell broadcast, da Defesa Civil Estadual, em seus telefones. “Estávamos monitorando na verdade desde a meia-noite, e quando chegou às 6 horas, tivemos um impacto de cerca de 14 milímetros. A partir daí começá-los a ficar em alerta, assim como passamos nas casas e pedimos às pessoas para, pelo menos, deixarem seus pertences arrumados”, afirmou Joice.
Mais próximo da régua, o empresário e ex-prefeito de Muçum, Aristides Coser, observava a elevação do nível do rio junto às réguas de marcação instaladas. Junto a ele, mais cerca de dez pessoas. “Eu tenho uma malharia aqui na outra rua e deixei funcionários de sobreaviso, além das máquinas, caso precisem ser retiradas. Depois de três enchentes, a gente não aguenta mais”, disse ele.
Fonte: Correio do Povo