POLÍCIA
27/07/2026 às 11:37 por João Gomes


PF investiga 753 casos de crimes eleitorais em 2026

PF investiga 753 casos de crimes eleitorais em 2026
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Levantamento da Polícia Federal aponta média de quase quatro novos inquéritos por dia; falsidade ideológica, caixa dois e compra de votos estão entre os principais crimes investigados.

A menos de três meses das eleições de 2026, a Polícia Federal (PF) conduz 753 investigações relacionadas a crimes eleitorais instauradas entre janeiro e julho deste ano. O levantamento representa uma média de quase quatro novos casos por dia e reúne ocorrências envolvendo suspeitas de falsidade ideológica, caixa dois, inscrição fraudulenta de eleitores e compra de votos.

Os dados, divulgados pela corporação e repercutidos pelo portal R7, referem-se aos inquéritos policiais abertos no período. Nessa etapa, a PF realiza a coleta de provas para definir se haverá indiciamento dos investigados ou o arquivamento dos procedimentos.

Além dos inquéritos, a Polícia Federal contabiliza dois Termos Circunstanciados, destinados a infrações de menor potencial ofensivo, e oito ocorrências em que pessoas foram conduzidas a unidades da corporação após flagrantes de possíveis irregularidades eleitorais. Em cada situação, cabe ao delegado responsável definir a medida cabível, como prisão em flagrante, lavratura de termo circunstanciado ou outra providência prevista em lei.

Entre os estados, Ceará e Rio de Janeiro lideram o número de investigações, com 81 casos cada. Na sequência aparece o Maranhão, com 79 procedimentos. Na outra ponta do levantamento estão Acre, sem registros de inquéritos, Distrito Federal, com dois casos, e Roraima, com seis.

Embora a Polícia Federal não divulgue detalhes dos procedimentos em andamento, algumas decisões recentes da Justiça Eleitoral ilustram o tipo de irregularidade investigada.

Em maio, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a cassação do diploma do suplente de deputado federal Heitor Freire, determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará. Conforme o Ministério Público Federal, o processo apontou irregularidades na aplicação de aproximadamente R$ 618 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha nas eleições de 2022, valor correspondente a mais de 60% dos recursos públicos recebidos pelo então candidato. Freire afirmou, à época, que recebeu a decisão com serenidade e reiterou confiar na legalidade de sua atuação.

Outro caso de repercussão envolve o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político e econômico, uso irregular de recursos públicos e criação de programas sociais com finalidade eleitoral durante o pleito de 2022. A defesa nega as acusações e sustenta que não houve irregularidades na atuação do governo estadual.

Segundo o Ministério Público Eleitoral, a Fundação Ceperj teria sido utilizada para favorecer interesses eleitorais, com ampliação significativa do orçamento, criação de programas sem previsão legal e manutenção de uma folha de pagamento sigilosa que teria beneficiado milhares de contratados.

Nas eleições gerais de 2022, o Ministério da Justiça registrou pelo menos 1.100 ocorrências de crimes eleitorais, além de 205 prisões e da apreensão de cerca de R$ 1,6 milhão em dinheiro em espécie durante o primeiro turno. Na ocasião, a prática mais recorrente foi a boca de urna, com 456 registros em 26 estados e no Distrito Federal. Também foram contabilizados 95 casos de compra de votos, 80 ocorrências de violação ou tentativa de quebra do sigilo do voto e 57 registros de transporte irregular de eleitores.

Redação do Grupo Sepé com informações de Correio do Povo


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