
Estudo da AirHelp aponta alta no número de passageiros afetados por atrasos superiores a duas e três horas no primeiro semestre de 2026, apesar da redução nos cancelamentos.
O transporte aéreo brasileiro registrou forte crescimento no primeiro semestre de 2026, mas o aumento da demanda veio acompanhado de mais transtornos para os passageiros. Levantamento da AirHelp, empresa especializada em direitos dos passageiros aéreos, mostra que o país teve 64,1 milhões de viajantes entre janeiro e junho deste ano, um acréscimo de 11,6 milhões em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 52,4 milhões.
Com mais pessoas utilizando o transporte aéreo, também aumentou o número de passageiros prejudicados por atrasos prolongados. Segundo o estudo, mais de 516 mil passageiros foram afetados por voos com atraso superior a duas horas no primeiro semestre deste ano, contra pouco mais de 443 mil no mesmo período de 2025. O crescimento representa cerca de 73 mil passageiros a mais.
Os atrasos acima de três horas também avançaram. Foram aproximadamente 257 mil passageiros impactados em 2026, frente a quase 209 mil no primeiro semestre do ano passado, um aumento de cerca de 48 mil pessoas.
Em contrapartida, os cancelamentos de voos apresentaram melhora. O número de passageiros afetados por cancelamentos comunicados até 30 dias antes da viagem caiu de aproximadamente 1,2 milhão no primeiro semestre de 2025 para cerca de 1,1 milhão neste ano.
Para o diretor-geral da AirHelp no Brasil, Luciano Feltrin, a redução dos cancelamentos é um indicativo positivo, mas ainda insuficiente diante do elevado número de passageiros prejudicados. Segundo ele, as interrupções operacionais continuam sendo um problema relevante para quem utiliza o transporte aéreo no país.
Entre os aeroportos brasileiros com maior número de voos que registraram atrasos superiores a duas horas estão Guarulhos, com 640 ocorrências, seguido por Confins, com 310, Viracopos, com 270, Recife, com 230, e Curitiba e Florianópolis, ambos com 130 registros. Porto Alegre contabilizou 100 voos com atrasos acima de duas horas e 40 superiores a três horas, mantendo os mesmos números registrados em 2025.
Além de monitorar o desempenho operacional, a AirHelp reforça que passageiros prejudicados por atrasos, cancelamentos ou overbooking possuem direitos garantidos pelo Código de Defesa do Consumidor e pelas normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Dependendo da situação, o passageiro pode ter direito à assistência material e, em casos de prejuízos comprovados, como perda de compromissos profissionais, consultas médicas ou eventos importantes, também pode buscar indenização por danos morais, que pode chegar a R$ 10 mil por pessoa, conforme entendimento da Justiça.
As chances de compensação são maiores quando o problema decorre de falhas da própria companhia aérea, como questões técnicas ou falta de tripulação. Mesmo em situações provocadas por condições climáticas ou outros fatores extraordinários, as empresas continuam obrigadas a prestar assistência adequada aos passageiros.
A legislação brasileira protege passageiros de voos domésticos, internacionais com origem ou destino no Brasil e conexões em território nacional. Para solicitar eventual reparação, é necessário que o voo tenha partido ou chegado ao país, tenha registrado atraso superior a três horas, cancelamento ou overbooking, que não tenha havido assistência adequada por parte da companhia e que o ocorrido tenha acontecido nos últimos cinco anos.
Redação do Grupo Sepé com informações de Ascom de AirHelp