INTERNACIONAL
13/08/2026 às 21:20 por Ana Carolina Zago


EUA fazem três execuções em um único dia nesta quinta, pela primeira vez em 16 anos

EUA fazem três execuções em um único dia nesta quinta, pela primeira vez em 16 anos
Foto: Sue Ogrocki / AP

Os Estados Unidos vivem nesta quinta-feira (13) uma situação rara: três condenados por assassinatos serão executados no mesmo dia, em diferentes estados. Será a primeira vez em quase 16 anos que a pena de morte é cumprida contra três pessoas em um único dia no país.

Carlos Cuesta-Rodriguez, de 70 anos, foi executado às 12h13 (horário de Brasília) em Oklahoma;

uma hora depois, Anthony Darrell Hines, de 66 anos, foi executado no Tennessee;

Jeremy Williams, de 70 anos, deve ser executado às 20h (horário de Brasília), no Alabama.

Todos foram condenados por homicídios em processos separados e aguardavam há anos o cumprimento das sentenças.

Em 2025, 47 presos foram executados em 11 estados, o maior número desde 2009. Neste ano, 19 execuções já ocorreram, concentradas em um pequeno grupo de estados que seguem aplicando a pena de morte com frequência.

A Flórida lidera esse movimento. Sozinha, foi responsável por 19 execuções em 2025 e responde pela maior parte das execuções realizadas em 2026 até agora. Especialistas atribuem o aumento à política do governador republicano Ron DeSantis, que promoveu mudanças na legislação para facilitar a aplicação da pena capital.

O cenário também coincide com a volta de Donald Trump à Casa Branca. Defensor histórico da pena de morte, o presidente assinou uma ordem executiva restabelecendo a política federal de execuções. O governo também ampliou os protocolos para métodos de execução e passou a incentivar estados a buscarem a pena máxima em determinados crimes.

Apesar desse endurecimento, pesquisas indicam que o apoio da população à pena de morte vem diminuindo. Levantamento do instituto Gallup mostra que 52% dos americanos consideram a prática moralmente aceitável, o menor índice desde a década de 1970. Além disso, os tribunais têm imposto menos sentenças de morte do que no passado.

Outro fator que mantém o tema em debate são as falhas registradas em execuções recentes. Problemas com injeções letais, escassez dos medicamentos utilizados e questionamentos sobre métodos alternativos, como pelotão de fuzilamento e gás nitrogênio, aumentaram as críticas ao sistema.

No Tennessee, a execução de Anthony Hines chama atenção porque ocorrerá após uma tentativa fracassada de execução no mesmo estado há cerca de três meses. Na ocasião, a equipe médica não conseguiu estabelecer adequadamente o acesso intravenoso necessário para aplicar a injeção letal. Hines argumentou na Justiça que suas condições de saúde, incluindo sequelas de dois derrames, elevam o risco de complicações, mas seus recursos foram rejeitados.

No Alabama, Jeremy Williams pediu que sua própria sentença fosse executada. Ele foi condenado pelo estupro e assassinato de uma menina de 5 anos em 2021. Já em Oklahoma, Carlos Cuesta-Rodriguez foi condenado pelo assassinato da companheira em 2003 e também afirmou não desejar clemência. Advogados alegaram que ele sofre de transtornos mentais e danos cerebrais, mas o próprio preso rejeitou os pedidos para reduzir sua pena.

Os casos voltam a colocar em evidência um debate que divide os Estados Unidos: a continuidade da pena de morte em um momento em que o número de execuções aumenta, mas o apoio popular à prática vem diminuindo.

Fonte: G1 


Compartilhe essa notícia: