GERAL
19/08/2026 às 09:20 por João Gomes


Sociedade civil critica exclusões na agenda da COP17

Sociedade civil critica exclusões na agenda da COP17
Foto: ASA / Divulgação

Organizações contestam retirada de temas ligados a gênero e participação social das negociações na Mongólia.

Organizações da sociedade civil manifestaram preocupação com a agenda oficial da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia. O cronograma aprovado para orientar as negociações entre os governos deixou de fora temas relacionados a gênero e participação social.

O Civil Society Organization (CSO) Panel, que reúne cerca de 1,2 mil organizações em diferentes países, rejeitou o documento. Em nota, o grupo afirmou estar “chocado e profundamente preocupado” com a decisão e alertou para o risco de que os resultados da conferência priorizem aspectos técnicos e econômicos, sem considerar de forma adequada os impactos sociais da desertificação, da seca e da degradação do solo.

Para as entidades, a ausência desses temas pode afastar as decisões da realidade das populações diretamente atingidas. O painel destaca que comunidades locais, povos indígenas, agricultores, pastores, mulheres, jovens, pesquisadores e organizações sociais acumulam experiências e conhecimentos importantes para a construção de políticas de enfrentamento aos problemas ambientais.

Outro ponto questionado é a falta de mecanismos para ampliar a integração entre as três principais convenções ambientais das Nações Unidas: a Convenção de Combate à Desertificação (UNCCD), a Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) e a Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

As três estruturas tiveram origem no processo iniciado durante a Rio 92 e tratam de desafios ambientais considerados interligados. Especialistas e organizações defendem uma atuação conjunta para aumentar a efetividade das políticas internacionais.

Durante a COP30, realizada no ano passado, representantes das três convenções lançaram a Declaração Conjunta de Belém sobre as Convenções do Rio. O documento reforçou que mudanças climáticas, perda de biodiversidade e degradação das terras fazem parte de crises relacionadas e que respostas isoladas podem comprometer o desenvolvimento sustentável.

A sociedade civil defende que as negociações da COP17 incorporem diferentes setores e comunidades, argumentando que governos, empresas e cientistas não conseguem enfrentar sozinhos problemas que afetam milhões de pessoas em diferentes regiões do planeta.

Redação do Grupo Sepé com informações de Agência Brasil


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