GERAL
23/08/2026 às 14:00 por Ana Carolina Zago


El Niño pode encarecer alimentos em até 20% no Brasil

El Niño pode encarecer alimentos em até 20% no Brasil
Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

Os alimentos podem ficar mais caros no Brasil nos próximos meses caso se confirme a ocorrência de um El Niño forte. Um estudo do Rabobank, baseado no histórico do fenômeno climático no país, aponta que o impacto sobre os preços pode atingir o pico cerca de seis meses após os primeiros choques sobre a produção.

Os alimentos in natura, como carnes e hortaliças, seriam os mais afetados. Em um cenário de El Niño forte, os preços dessa categoria poderiam subir 19,9%, enquanto a alimentação no domicílio teria alta de 6,32%. Em um evento de intensidade moderada, os aumentos estimados seriam de 13,4% e 2%, respectivamente.

O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, alterando os padrões climáticos. O fenômeno pode provocar secas em algumas regiões produtoras e chuvas acima da média em outras, afetando safras, pastagens e a oferta de alimentos.

Segundo o estudo, as hortaliças tendem a reagir mais rapidamente porque possuem ciclos de produção curtos. Já os alimentos semi-elaborados, como arroz e feijão, sentem os efeitos de maneira mais gradual, principalmente pelo aumento dos custos dos insumos. Os industrializados, por sua vez, tendem a apresentar uma alta menor, devido à composição do preço final, que inclui processamento, embalagens, transporte e comercialização.

O Rabobank estimou os possíveis efeitos do fenômeno sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em um El Niño moderado, a alta dos alimentos in natura acrescentaria cerca de 0,36 ponto percentual à inflação. Somados os efeitos dos alimentos semi-elaborados e industrializados, o impacto total seria de aproximadamente 0,41 ponto percentual.

Em um El Niño forte, o impacto seria maior. O aumento dos preços dos produtos in natura acrescentaria cerca de 0,53 ponto percentual ao IPCA. Os semi-elaborados teriam alta estimada de 3,6%, com impacto de 0,20 ponto, enquanto os industrializados subiriam 1,4%, acrescentando 0,11 ponto. No total, o efeito dos alimentos poderia adicionar cerca de 0,83 ponto percentual à inflação.

As projeções também apontam diferenças entre as regiões metropolitanas. Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Belém estariam entre as localidades que poderiam registrar os maiores aumentos no curto prazo. Salvador e Recife, por outro lado, teriam impactos inicialmente menores, com repasses mais graduais.

Os primeiros efeitos devem aparecer principalmente nas hortaliças. Caso o fenômeno ganhe força, produtos dependentes de safras específicas também poderão sofrer pressão no próximo ano.

Entre as culturas que podem ser afetadas estão milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz, segundo Cesar Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA. O leite também pode sofrer impactos, especialmente conforme o volume de chuvas na Região Sul.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que a pecuária pode ser uma das atividades mais afetadas no Centro-Oeste e no Norte, onde a redução das chuvas pode diminuir a disponibilidade de água para as pastagens. Por outro lado, algumas regiões podem se beneficiar das condições climáticas. No Nordeste, o calor e o baixo volume de chuvas podem favorecer a colheita do feijão, enquanto as chuvas acima da média no Sul podem beneficiar culturas de inverno.

A intensidade dos impactos dependerá da força e da duração do El Niño, das condições das safras e do cenário econômico. De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), as projeções indicam cerca de 80% de probabilidade de ocorrência de um El Niño forte no fim do ano.

Fonte: O Sul


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