
As renegociações de crédito rural no Rio Grande do Sul chegaram a R$ 23,2 bilhões em junho, em meio às dificuldades financeiras acumuladas pelo setor após sucessivos eventos climáticos. Os dados integram um estoque de R$ 42,7 bilhões em crédito rural classificado como problemático no Estado, conforme informações do Banco Central.
A classificação, no entanto, não significa necessariamente inadimplência. O levantamento considera também operações prorrogadas e renegociadas, além de parcelas vencidas. Antes das enchentes de 2024, o volume de crédito problemático no Rio Grande do Sul girava em torno de R$ 8 bilhões. Após o desastre, o estoque superou R$ 20 bilhões e, mais recentemente, chegou aos atuais R$ 42,7 bilhões.
No início de 2024, as renegociações somavam cerca de R$ 5 bilhões. O crescimento ocorreu após uma sequência de eventos que afetaram diretamente a produção rural, entre eles as enchentes de setembro de 2023, o desastre climático de abril e maio de 2024 e uma nova estiagem registrada nos primeiros meses de 2025.
No cenário nacional, o estoque de crédito rural problemático atingiu R$ 197,1 bilhões em junho. Com isso, o Rio Grande do Sul concentra mais de 20% do total brasileiro.
Especialistas ouvidos pelo Jornal do Comércio avaliam que a renegociação pode representar tanto uma solução para dificuldades temporárias quanto apenas o adiamento de problemas estruturais. Os dados atuais não permitem apontar quanto dos R$ 23,2 bilhões renegociados conseguirá retornar normalmente ao fluxo de pagamentos e quanto poderá voltar a apresentar dificuldades no futuro.
Apesar da pressão financeira, os indicadores de inadimplência rural no Estado permanecem abaixo da média nacional. No primeiro trimestre de 2026, a taxa entre pessoas físicas rurais chegou a 5,8% no Rio Grande do Sul, diante de 8,8% no Brasil. Mesmo com aumento em relação ao fim de 2025, o Estado ainda apresentava a menor taxa entre as unidades da Federação.
A avaliação é de que parte relevante das dificuldades vem sendo administrada por meio da reorganização das dívidas. O resultado, porém, dependerá da capacidade das próximas safras de gerar receita suficiente para cumprir os novos cronogramas de pagamento.
Redação do Grupo Sepé com informações do Jornal do Comércio